"Disponibilidade para comprar." Para virar a página, Visão e Jornal de Letras podem ter novos donos

Leonel de Castro (arquivo)
Do lado da Visão, a proposta é uma iniciativa de 15 trabalhadores, incluindo o próprio diretor, a começar nos 40 mil euros. No caso do Jornal de Letras, sem adiantar valores, o diretor José Carlos de Vasconcelos garante na TSF que está pronto para avançar como comprador único
Um grupo de 15 trabalhadores da Visão vai avançar com uma oferta para comprar o título, mas este não é um caso único. O diretor do Jornal de Letras adianta à TSF que também vai apresentar uma proposta para comprar a revista histórica sobre cultura em Portugal.
Esta segunda-feira, os credores da Trust in News (TiN), dona destes títulos, reúnem-se no Tribunal de Sintra para discutir a liquidação da empresa ou um eventual plano de recuperação.
O diretor da Visão, Rui Tavares Guedes, diz à TSF que, nesta reunião, "um grupo de 15 trabalhadores vai manifestar a sua disponibilidade para comprar" a revista. O valor é indicativo para abrir uma negociação, mas é de 40 mil euros.
Em relação ao Jornal de Letras, e sem adiantar um valor, José Carlos de Vasconcelos revela que vai propor-se como o único comprador do título e que, se a proposta for aceite, vai procurar por financiamento.
A greve dos trabalhadores da TiN começou em maio deste ano, com os trabalhadores a reivindicarem o pagamento dos salários em atraso e, em alguns casos, do subsídio de férias. Alguns trabalhadores da Visão continuaram a trabalhar, fazendo com que a revista fosse saindo. Já o Jornal de Letras viu a sua última edição a sair em julho deste ano, após 45 anos de publicações.
Também em julho, a TiN comunicou o despedimento coletivo de 80 trabalhadores do grupo, pedindo ao mesmo tempo que continuassem a trabalhar para manter os títulos vivos. Uma decisão reprovada pelo Sindicato dos Jornalistas, que considerou “incompreensível e intolerável” a postura do administrador de insolvência da TiN.
Além da Visão e do Jornal de Letras, a TiN, fundada em 2017, é detentora de órgãos de comunicação social como a Exame, a Caras e a Activa.
