DST pede "contratos de larga escala com o setor" para reconstrução dos locais afetados pelo temporal

Estela Silva/Lusa
Também o ex-presidente da Cáritas sugere, em declarações à TSF, benefícios fiscais para incentivar a ajuda das grandes empresas
O presidente do grupo DST afirma que a empresa da área da construção esteve no terreno logo depois da passagem da tempestade Kristin e desafia o Estado a abrir "um pacote" alargado para a reconstrução das zonas afetadas.
""Lançar concursos abertos para acudir em massa, ou seja, se abrir um concursozinho ou se ficar ao livre arbítrio de um habitante o seu telhadinho, ele vai consultar uma empresa e uma empresa que vai demorar a dar o preço, depois vai ter dificuldade com as questões de segurança eventualmente, contratar a fiscalização para a segurança. E nenhuma empresa grande vai fazer uma reparação de cinco mil euros, de sete mil ou de 20 mil. Mas se abriram num pacote, imagine, de mil reparações dessas e colocar num bolo, as grandes empresas vão ser incentivadas a ir", afirma José Teixeira à TSF, em resposta à carta aberta dos trabalhadores das artes e espetáculo.
Para o líder da DST, isso permitiria a deslocação dos "estaleiros e vão fazer uma reparação de três mil euros, outra de 20 mil, outra de 80 mil, outra de 1,5 mil euros".
"Isto é facilmente governável por tipificação do trabalho. Olha, x metros quadrados, x unidades de telhas, x unidades de barrotes, x unidades de suporte metálico, por aí fora. É a forma mais rápida de fazer isto", considera.
Questionado se esse processo seria demorado, José Teixeira acredita que não: "Os concursos tinham que ser agilizados e o senhor primeiro-ministro até já disse que considera a hipótese de algumas obras públicas admitir prorrogações de prazo para elas, para haver aqui uma deslocação de meios e, portanto, nós estamos no caminho. Temos que ter um bocadinho de paciência a mais. Eu sei quem está a sofrer, está desesperado, mas eu acho que está muita energia em curso e a minha contribuição aqui é: a melhor solução que eu vejo pra resolver isso, é contratos de larga escala com o setor."
O presidente da DST explica como é que a empresa já contribuiu para ajudar as populações.
"Na realidade, a energia parecia uma coisa fundamental e coberturas provisórias também. Portanto, nós fomos levantar algumas estações elevatórias de água e alimentar um centro comunitário e para se poder um sítio onde se lavasse ou as pessoas tomassem banho, cozinhassem, carregar telemóveis e tal. Isso fizemos depois em Figueiró dos Vinhos centenas de coberturas. Também em Alcobaça, também em Leiria e também na Marinha Grande", revela.
Também o antigo presidente da Cáritas, Eugénio da Fonseca, sugere, em declarações à TSF, que as grandes empresas podem ser incentivadas a ajudar com benefícios fiscais.
"Nós somos um povo solidário e, se solicitadas, porque é preciso identificar as necessidades para que não sejam prestadas ajudas ineficientes, eu julgo que grande parte das empresas, e vou-me particularmente situar naquelas que são maiores, que têm maiores possibilidades de investimento, que devem cooperar nesta fase de emergência e na fase da reabilitação, mesmo que isso possa vir a ser compensado por benefícios fiscais à disposição do Estado. Isso já acontece para outras situações. Portanto, tem que haver aqui uma cooperação mútua", recomenda.
O antigo presidente da Cáritas sublinha que é necessário desenvolver políticas públicas que prevejam estas situações e que permitam respostas mais rápidas.
"Nós, em Portugal, sempre tivemos uma política, desculpe a expressão, do desenrascanço. Temos muita dificuldade em planear e, portanto, em prever situações. Agora, já estamos mais despertos e as desculpas vão sendo cada vez menores, para não criarmos planos de emergência, contingência e também de prevenção, mesmo estrutural, para prevenir estas situações. Há sempre uma parte de imprevisibilidade, mas agora há que tomar medidas. E como? Sem dúvida, criando políticas públicas que enquadrem estas situações, coloquem vários parceiros que podem vir depois ser chamados a atuar no terreno em cooperação. Tem que se criar condições para que haja respostas mais imediatas", argumenta.
