Entrevistado pela RTP, o ex-líder do CDS, agora com 90 anos, defende que em Portugal se está a verificar o «abandono do Estado Social» e que se está a esquecer a sua importância.
Adriano Moreira considera que o Estado Social está a ser vítima de um ataque e que está, não só a ser mal compreendido, como também não está a ser respeitado.
Em entrevista à RTP, este ex-ministro, que completou, esta quinta-feira, 90 anos de idade, lembrou que há princípios constitucionais que não estão ser cumpridos e que começa a haver sintomas preocupantes no país.
Para este antigo líder do CDS, «já há várias manifestações», que «sintetiza na expressão que talvez possa ser usada: abandono do Estado Social».
«O Estado Social, uma criação sobretudo da doutrina social da Igreja e do socialismo democrático, é uma principologia não são imperativos», adiantou.
Para sustentar a sua ideia, Adriano Moreira recordou que a «Constituição não diz que o ensino é gratuito e que a saúde é gratuita», mas apenas diz que é «tendencialmente» gratuita.
«Quer dizer, tem de haver equilíbrio entre os recursos e o que se faz. Não se pode é deitar a esperança pela janela e é o que se faz quando se ataca o Estado Social. Esta a esquecer-se a importância do Estado Social», frisou.
Nesta entrevista, Adriano Moreira criticou ainda a excessiva carga fiscal e a cada maior transformação do Ministério das Finanças num Ministério do Orçamento.
Este antigo ministro atacou também a excessiva dependência dos mercados, ao dizer que se «substituiu o credo do mercado pelo credo dos valores e pusemos o preço das coisas onde antigamente estava o valor das coisas».
«Isso levou à situação em que estamos e penso que é mesmo ameaçadora para a liberdade do país, porque estamos numa espécie de protetorado», concluiu.