"Estamos isolados." Lousal cercado pela água impede habitantes de entrarem ou saírem da aldeia

Créditos: Paulo Novais/Lusa (arquivo)
Sérgio Filipe é proprietário de um pequeno restaurante no Lousal. Além da preocupação com os vizinhos, enfrenta também prejuízos diretos no seu próprio negócio
Sérgio Filipe vive no Lousal, no concelho de Grândola, uma antiga aldeia mineira que, nas últimas horas, ficou completamente cercada pela água. A chuva intensa obrigou ao corte da única ponte que garante o acesso rodoviário à localidade, deixando moradores e comerciantes sem forma de entrar ou sair. A situação é particularmente preocupante porque a maioria da população é idosa e não existe, pelo menos até agora, um plano claro de apoio em caso de emergência.
"Estamos isolados. O único acesso é mesmo aquela ponte", explica Sérgio Filipe, recordando o momento em que a ligação foi interrompida. "A ponte fechou por volta das 08h00." Desde então, quem saiu da aldeia durante o dia ficou impedido de regressar. "Não conseguem voltar a casa, é assim mesmo", diz.
E o cenário pode agravar-se nos próximos dias. Sérgio refere ter ouvido previsões de continuidade da chuva forte e teme que o isolamento se prolongue. "Segundo a meteorologia, vai continuar a chover intensamente", afirmou, em declarações à TSF.
O Lousal é, nos dias de hoje, uma aldeia marcada pelo envelhecimento da população. "A grande maioria tem muita idade e, se houver uma situação complicada, não vai ser fácil", alerta Sérgio Filipe, que diz desconhecer qualquer plano definido para garantir assistência urgente à população, caso seja necessário.
O abastecimento é outra das grandes preocupações. Existe apenas uma pequena mercearia na aldeia, que dificilmente conseguirá responder às necessidades de todos se o isolamento durar vários dias. "Não vai ser fácil. Não acredito que a mercearia tenha capacidade para abastecer toda a população", afirma.
Além da preocupação com os vizinhos, Sérgio enfrenta também prejuízos diretos no seu próprio negócio. Proprietário de um pequeno restaurante no Lousal, preparou-se para um dia normal de trabalho, mas acabou sem receber um único cliente. "Hoje deixei comida preparada para 60 pessoas, prato de carne e prato de peixe, e ficou tudo lá. Não se pode fazer nada", lamenta. "É um prejuízo para o negócio."
Sem saber quanto tempo a situação vai durar, Sérgio Filipe olha para os próximos dias com apreensão. "Muito sinceramente, não sei como é que vai ser."