"Financiamento é mais dívida." Empresários pedem ao Governo celeridade e clarificação dos apoios após temporal

Paulo Cunha/Lusa
No Fórum TSF, os presidentes da AEP, da ACAP e da Nerlei argumentam que vários setores sofreram danos com a passagem da tempestade Kristin
Duas semanas depois de a tempestade Kristin ter deixado estragos em várias regiões do país, os empresários afetados pedem clareza e rapidez ao Governo na aplicação das medidas de apoio.
O tema foi debatido no Fórum TSF e o presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP) afirma que esses apoios ainda não chegaram ao terreno e quer que o Governo clarifique o processo para que as empresas possam aplicar o lay-off.
"Se as regras não são claras, se as pessoas não sabem logo com o que é que contam, aquilo que devia ser a questão da confiança, repare, há muito empresário que está desanimado, que tem até dúvidas se vai continuar, se vai reconstruir, se vai querer voltar a investir na sua atividade com o esforço todo que isto vai ter", disse Luís Miguel Ribeiro.
O líder da AEP dá as "três condições fundamentais": "Quando digo as empresas, isto reflete naturalmente nas pessoas, porque as pessoas trabalham nas empresas, as pessoas têm os seus ordenados e têm a sua atividade e os seus empregos nas empresas. Por isso, é importante a proximidade, as regras de forma clara e solidariedade."
O presidente da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) reitera que o setor sofreu danos elevados e segue o apelo da AEP.
"Aquilo que existe neste momento e que temos constatado é alguma necessidade de clarificação dos apoios. Aliás, isso tem vindo na comunicação social, sobretudo os apoios ao emprego, os incentivos à manutenção dos postos de trabalho, o que é que está incluído, se é cumulável com outros apoios. Constatou-se que há um limite também no valor do ordenado. Portanto, são situações que estão a ser, digamos, esclarecidas também pelas próprias entidades oficiais e que rapidamente se terá essa conclusão", entende, especificando que é preciso perceber "que tipo de apoios e, dentro dos apoios, o que é que abrange exatamente e se são acumuláveis com outros".
No caso da Associação Empresarial da Região de Leiria (Nerlei), Henrique Carvalho critica que ainda não haja apoios nas mãos dos empresários e que tudo a que podem recorrer é mais dívida.
"Na parte das medidas de linhas de crédito, como isto é feito através da banca, pode haver já algumas operações que estão a ser despachadas. O Banco Português de Fomento disse há pouco que já tinha algumas operações concretizadas e finalizadas. Admitimos que sim e admitimos que essa parte das linhas de financiamento seja operacionalizada rapidamente. Mas repare, financiamento é mais dívida para as empresas que já estão numa situação muito difícil nas suas instalações e aquelas que ainda assim não estão paradas, estão com níveis de atividade muito, muito baixos", argumenta.