"Fomos empurrados para esta greve." Fnam acusa Governo de "não querer resolver falta de profissionais no SNS"

Rui Manuel Fonseca/Global Imagens (arquivo)
Em declarações à TSF, Joana Bordalo e Sá diz esperar uma "adesão muito significativa" à greve desta sexta-feira
Contra a intransigência da ministra da Saúde e do primeiro-ministro, os médicos estão esta sexta-feira em greve. Em declarações à TSF, Joana Bordalo e Sá, presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fnam), lamenta a recusa do Governo em negociar com os médicos aquilo que é necessário para ter mais profissionais no Serviço Nacional de Saúde.
Perante a postura do Executivo, Joana Bordalo e Sá diz que os médicos foram "empurrados" para a greve: "Estamos a precisar de condições de trabalho dignas e salários justos, como tal espera-se uma adesão muito significativa."
A presidente da FNAM antecipa para esta sexta-feira adiamentos de consultas, quer a nível dos centros saúde, quer a nível dos hospitais e também dos blocos operatórios e responsabiliza Ana Paula Martins e Luís Montenegro, por "não quererem resolver a situação da falta de médicos no Serviço Nacional de Saúde".
Joana Bordalo e Sá admite que, no futuro, possam acontecer novas paralisações, dependendo da postura que o governo adote em relação à abertura para dialogar com os médicos e para a introdução de medidas que permitam "devolver médicos ao Serviço Nacional de Saúde".
Já o presidente da Associação dos Médicos de Saúde Pública deixa um apelo, uma vez que considera grave a situação que o Serviço Nacional de Saúde atravessa. Ouvido pela TSF, Bernardo Gomes defende que é preciso que sindicatos e Governo negoceiem com vontade e flexibilidade.
"O Ministério da Saúde não pode ser deixado sozinho a arcar com a responsabilidade de uma negociação coletiva que tem de ocorrer em várias pastas e vários dossiês. Tem de haver suporte governamental ao próprio Ministério para dar lastro de resolução a algumas situações de caráter muito agudo. Tem de haver alguma margem de solidariedade e flexibilidade para chegarmos a soluções. Quando digo flexibilidade, aplico-a também aos outros intervenientes, sejam eles os sindicatos, a Ordem dos Médicos, porque temo que se não chegarmos a bom porto de uma forma aguda, a degradação do SNS irá continuar", afirma.
