Francisco Louçã: Portugal perderia dinheiro com reestruturação grega mas seria salvo

Reinaldo Rodrigues/Global Imagens
Em entrevista à TSF e ao Dinheiro Vivo, o antigo coordenador do Bloco de Esquerda reconhece que uma eventual reestruturação da dívida pública grega implicaria perda de dinheiro para Portugal, mas acredita que é um mal menor. Francisco Louçã avisa ainda que se a Grécia não reestruturar, pode ser empurrada para fora do Euro. E se fosse ministro ou conselheiro grego iria um pouco mais longe.
Francisco Louçã admite que uma reestruturação grega «tem perdas para o estado português», mas defende que permitiria «uma vantagem enorme»: «É que uma reestruturação feita com sucesso, provando que uma economia pode sair da crise, vai ser aplicada também a Portugal. E Portugal precisa de uma reestruturação na ordem dos 200 mil milhões de euros, não é de uma partezinha de mil milhões».
Por isso, o economista defende que «se a Grécia reestruturar, com as perdas que isso significa na União Europeia, é a melhor notícia que a União Europeia pode ter, porque vai permitir salvar Portugal».
E se a Grécia não conseguir a reestruturação? «Pode acontecer é que se o Governo alemão impedir qualquer negociação da dívida, então a sra. Merkel pode querer empurrar a Grécia para a única solução que lhe restará, que é sair do Euro» e desvalorizar a moeda.
Francisco Louçã elogia o Syriza por estar a cumprir «uma tarefa difícil». Mas entende que seria preciso ir um pouco mais longe: «Se eu fosse ministro das Finanças, ou conselheiro, a primeira coisa que diria é que esta semana era preciso ter tido medidas de controlo do movimento de capitais». O economista lembra que a UE não o permitiria, mas afirma que «é possível ter regulamentos do governador central da Grécia para fiscalizar». Para Francisco Louçã «é possível ter formas mitigadas e muito eficientes desse controlo».