Fogo corta três estradas em Proença-a-Nova. Já foram consumidos seis mil hectares

Nuno Veiga/Lusa
Três pelotões de militares estão em operações de vigilância nos locais onde o incêndio já foi dominado.
Três estradas estão este sábado cortadas ao trânsito no concelho de Proença-a-Nova, devido ao incêndio que deflagrou na sexta-feira, em Castelo Branco, e está a lavrar naquele concelho e em Proença-Nova, afirmou a GNR.
Segundo declarações do capitão Marco Ferreira, do Comando Territorial de Castelo Branco da GNR, o Itinerário Complementar 8 está cortado desde o seu início em Perdigão até ao nó do Peral. Está ainda interdito ao trânsito desde o nó das Moitas até ao acesso da A23.
A Estrada Nacional 241 está também cortada ao trânsito entre a rotunda do Centro de Ciência Viva das Florestas em Proença-a-Nova até à localidade de Espinho Pequeno. Por último, a Estrada Municipal 545 está também interdita à circulação rodoviária entre a localidade de Rabacinas e Monte da Senhora.
Todas estas vias de comunicação são no concelho de Proença-a-Nova, no distrito de Castelo Branco.
O incêndio regista uma área ardida de seis mil hectares naquele concelho e em Proença-Nova, afirmou este sábado o Comando Regional de Proteção Civil do Centro.
"A estimativa, neste momento, é de seis mil hectares de área ardida, o que é uma área reduzida para aquilo que é o potencial deste incêndio", afirmou o segundo Comandante Regional de Emergência e Proteção Civil do Centro, Jody Rato, que falava aos jornalistas num briefing sobre o ponto de situação daquele fogo.
Mais de mil operacionais combatiam, às 13h45, o incêndio e o comandante da Proteção Civil nacional, Paulo Santos, revelou à TSF que foram pedidos também quatro canadairs a Espanha.
"O incêndio é influenciado pelo vento, ou seja, progride com uma velocidade e intensidade superior à capacidade dos meios que estão no teatro de operações. O teatro de operações continua a ser reforçado, quer com brigadas do ICNF, quer com grupos de reforço dos bombeiros ou pelotões militares que foram acionados esta manhã para ajudar na vigilâncias das áreas onde o incêndio já foi dominado, permitindo assim o reposicionamento de meios de combate na frente do incêndio. Foi solicitado ainda esta manhã quatro aviões anfíbios a Espanha", contou Paulo Santos.
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Em Fátima esta manhã, o ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, confirmou o pedido de ajuda.
"Tomámos a decisão de ativar os mecanismos de cooperação ibérica para que todos os meios que temos ao nosso alcance possam debelar, tão depressa quanto possível, este incêndio que começou a lavrar ontem à tarde e mantém-se muito intenso, pelo menos com uma frente muito ativa na direção de Castelo Branco e Proença-a-Nova", explicou José Luís Carneiro.
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O ministro avisou que os incêndios vão continuar a aumentar nos próximos dias.
"Nas próximas horas, nos próximos dias, como se tem vindo a ver desde dia 4, de ontem para hoje, as temperaturas estão a aquecer muito. Podemos verificar que na passagem do dia 2 de agosto para 3 de agosto praticamente duplicaram o número de incêndios no país. De 3 para 4 de agosto voltou a verificar-se o mesmo fenómeno. Ontem mesmo tivemos já mais de 70 incêndios no país", alertou o ministro da Administração Interna.
Em relação a este incêndio, o comandante adianta ainda que, para já, não foi necessário retirar populações, mas há várias localidades do concelho de Proença-a-Nova que estão a ser afetadas.
"Envolvência de Proença-a-Nova, na zona das Moitas, Espinho Pequeno e também Pregulhos. Tudo isto é fruto de projeções, a grande distância, do incêndio e são localidades que estão a ser afetadas, entre muitas outras, pelo incêndio", afirmou à TSF o comandante da Proteção Civil.
O fogo deflagrou pelas 15h00, na sexta-feira, na localidade do Carrascal, em Castelo Branco, estando também a progredir no concelho vizinho de Proença-a-Nova.
Segundo o briefing realizado às 13h15, pelo segundo Comandante Regional de Emergência e Proteção Civil do Centro, Jody Rato, os operacionais contam também com dez máquinas de rasto no terreno, estando a aguardar a chegada de outras cinco.
O combate no terreno tem-se revelado difícil, face à orografia e dificuldade de acesso, referiu.
Intensidade do vento e temperatura antecipam "dia complicado"
De acordo com o autarca de Proença-a-Nova, o incêndio no seu concelho dividiu-se em três frentes. Uma das frentes passou a zona das Moitas e dirige-se para a localidade de Pergulho, outra evolui no sentido de Vale da Mua, e uma terceira está próxima de Sobral Fernando, referiu. E avisou que face à evolução, o incêndio poderá entrar nos concelhos vizinhos de Vila Velha de Ródão e de Mação.
"Todas as três frentes estão ativas e geram motivo de grande preocupação. O vento esteve relativamente sereno durante a manhã, mas o incêndio, como tem uma extensão muito grande, gera o seu próprio vento, face às massas de ar quente", disse João Lobo.
O presidente da Câmara de Proença-a-Nova referiu que as perspetivas de aumento da intensidade do vento e da temperatura durante o dia dão indicações de "um dia complicado", sem qualquer "expectativa de controlo do incêndio" da parte da manhã.
No concelho de Castelo Branco, grande parte do perímetro "está em fase de rescaldo", mantendo-se uma zona com uma frente ativa e que ainda motiva preocupação, disse à Lusa o presidente da Câmara Municipal, Leopoldo Rodrigues.
Os autarcas dos dois concelhos referem que não há registo de feridos ou de primeiras habitações afetadas pelo incêndio.
"São dias muito difíceis para o combate aos fogos florestais"
O tempo em Castelo Branco também não vai ajudar os bombeiros no combate às chamas. O risco de incêndio na região é máximo. À TSF, o meteorologista Alessandro Marraccini, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, sublinhou que o principal inimigo dos operacionais é o vento.
"O vento em Castelo Branco vai-se manter com valores inferiores a 30 quilómetros por hora. No entanto nas terras altas, no topo das montanhas da região, o vento de nordeste poderá ser mais forte, até 40 quilómetros por hora e não vai ajudar no combate aos fogos florestais. Nos próximos dias e hoje o risco de incêndio rural é máximo em toda essa região do centro, interior, interior norte e do Algarve. E vai manter-se assim durante os próximos dias todos. São dias muito difíceis para o combate aos fogos florestais", alertou Alessandro Marraccini.
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Notícia atualizada às 15h21