
Controlo na fronteira entre Portugal e Espanha
Rui Manuel Ferreira/Global Imagens
O Governo espanhol prolongou o encerramento da fronteira com Portugal até, pelo menos, 1 de março.
Corpo do artigo
O Ministério do Interior de Espanha prolongou as restrições nas fronteiras terrestres com Portugal, devido à pandemia de Covid-19, até dia 1 de março. O Ministério da Administração Interna adianta à TSF que a medida foi articulada entre os dois governos.
Um despacho publicado esta terça-feira pelo Estado espanhol estabelece que, até 1 de março, apenas os cidadãos residentes em território espanhol, os trabalhadores transfronteiriços e outros casos excecionais podem entrar em Espanha, a partir de Portugal.
"A gravidade das medidas restritivas de mobilidade vigentes em Espanha e Portugal sugere a manutenção dos controlos da fronteira terrestre entre ambos os países com as mesmas limitações aplicadas durante os dez dias iniciais", lê-se no documento das autoridades espanholas.
"Realizaram-se as devidas reuniões de coordenação com as autoridades portuguesas. A medida estende-se até ao final do mês de fevereiro", indica ainda.
A 28 de janeiro, o Governo português tinha decidido limitar as deslocações para fora do território continental, por qualquer meio de transporte, e repor o controlo nas fronteiras terrestres.
O último despacho do Governo espanhol previa o encerramento das fronteiras apenas até esta quarta-feira, dia 10 de fevereiro, enquanto o documento português previa as fronteiras fechadas até domingo, 14 de fevereiro.
As entradas e saídas dos dois territórios só poderão ocorrer nos pontos autorizados e nos horários estabelecidos entre as autoridades de ambos os países.
Há oito pontos de passagem permanentes: Valença, Vila Verde da Raia, Quintanilha, Vilar Formoso, Marvão, Caia, Vila Verde e Castro Marim, e seis pontos de passagem em horários específicos.
Autarcas temem impacto económico
Em declarações à TSF, Artur Nunes, presidente da câmara de Miranda do Douro e da Comunidade Intermunicipal de Trás-os-Montes e Alto Douro, afirma que o encerramento de fronteiras vai criar mais dramas para a economia local.
"Fechar fronteiras agora mais 15 dias vai significar um sintoma económico muito forte. As pessoas sentem, as empresas sentem, os recursos sentem", lamenta.
TSF\audio\2021\02\noticias\09\artur_nunes_1
Na opinião de Artur Nunes, o fecho de fronteiras não é solução, em particular para esta zona do Interior, onde já não há muita gente.
"A fronteira não é problema. Nós já vivemos muito poucos na fronteira, é a fronteira mais desertificada da Europa. Fechar as fronteiras entre os dois países não é solução para uma crise pandémica", defende.
Já para José Maria Costa, autarca de Viana do Castelo e presidente da Comunidade Intermunicipal do Alto Minho, a decisão de encerrar fronteiras é compreensível, mas não deixa de ser preocupante, dado o impacto económico que terá.
"O nosso território fica sem atividade, porque a Galiza é o nosso principal cliente. Qualquer adiamento do restabelecimento de medidas de circulação e de abertura dos estabelecimentos gera consequências importantes no desemprego e no desenvolvimento destes territórios", explica.
TSF\audio\2021\02\noticias\09\jose_maria_costa_2
José Maria Costa reitera a necessidade de permitir a circulação de trabalhadores em mais pontos fronteiriços e não apenas num, sugerindo alguns reajustes nas restrições, de forma a aliviar o trânsito entre as regiões da Galiza e do Minho.
"Temos trabalhadores que vivem aqui e trabalham na Galiza, outros que vivem na Galiza e trabalham aqui. É uma relação muito fluida", indica o autarca. "Se a Galiza fosse um país independente, era o oitavo destino das exportações de Portugal. Daí o impacto que tem nas empresas, nas fábricas, na atividade comercial", sustenta.
Notícia atualizada às 10h55
*com Cristina Lai Men e Sónia Santos Silva
LEIA TUDO SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19
13330961