
Gregório Cunha/ Lusa
O presidente da Câmara Municipal do Funchal diz que o vento aumentou de intensidade do vento e mudou de direção.
A situação na Madeira complicou-se muito ao final da tarde. O presidente da Câmara do Funchal adiantou à TSF que as populações estão a ser obrigadas a sair das zonas de Babosas e Curral dos Romeiros e, ao que tudo indica, há pessoas encurraladas em oficinas de serragem.
Também o hotel Choupana Hills está a ser evacuado e o fogo aproxima-se de um tanque de gás situado próximo do Hospital Dr. João Almada. Paulo Cafôfo diz que o incêndio está a progredir por causa do vento forte que se faz sentir no local.
Poucas horas antes, a meio da tarde, o presidente do governo regional da Madeira, Miguel Albuquerque, confirmou que dois bombeiros do quartel de Câmara de Lobos ficaram feridos na sequência de um acidente com um autotanque usado para combater os fogos no Funchal e precisaram de assistência hospitalar.
174 pessoas foram assistidas, muitas devido a problemas respiratórios. Um idoso sofreu queimaduras depois de recusar abandonar a habitação, na freguesia do Monte, e será transferido para a unidade de queimados do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, no avião da Força Aérea.
Apesar dos números, o presidente do Governo da Madeira afirmou que a situação dos incêndios está "perfeitamente controlada" e "relativamente consolidada", apesar de se manterem as condições meteorológicas propícias à propagação do fogo.
Miguel Albuquerque disse que serão mantidos os dispositivos que estão a atuar nos diferentes focos na costa sul da ilha, nomeadamente no concelho do Funchal (Laginhas, Monte, Caminho do Tanque e Corujeira); no concelho da Calheta (zona oeste da ilha), onde se registam duas frentes (Arco da Calheta e Paúl da Serra); e nos Canhas, na Ponta do Sol.
Os incêndios na Madeira já obrigaram a deslocar mais de 300 pessoas - que foram entretanto alojadas em instituições - e a evacuar parte do Hospital dos Marmeleiros. O Serviço Regional de Saúde da Região Autónoma da Madeira (SESARAM) fez um apelo público aos enfermeiros para que estes se dirijam diretamente ao Hospital Central do Funchal, ao invés do hospital dos Marmeleiros.
Este serviço pediu também que os utentes com consulta externa marcada para esta terça-feira não se desloquem à unidade de saúde do Funchal, evitando deste modo o congestionamento da estrutura. Também o Hospital Dr. João de Almada foi evacuado esta tarde, de acordo com o DN Madeira. Os doentes foram transferidos para a Escola Horácio Bento de Gouveia.
27 moradias ficaram sem condições para serem habitadas - 11 na freguesia de São Roque, 13 no Monte, três em Santo António.
Ao início da tarde, o presidente da Câmara Municipal do Funchal afirmou que o gabinete de António Costa já foi contactado a propósito da eventualidade de ser necessário enviar meios para apoiar o combate aos incêndios na Madeira.
"Estão acionados todos os meios necessários. Quero dizer que já contactámos o gabinete do primeiro-ministro e houve uma disponibilidade para, caso haja necessidade, virem meios do continente para cá, seja nesta fase, seja numa de rescaldo", disse Paulo Cafôfo.
A ministra da Administração Interna contactou hoje o presidente do Governo Regional da Madeira no sentido de oferecer ajuda dos meios de combate para os incêndios florestais. O governo madeirense acionou já o Plano Municipal de Emergência.
"Acaba de ser ativado o Plano Municipal de Emergência, pela Comissão Municipal de Proteção Civil, votado por unanimidade", pode ler-se num documento camarário.
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Ponto da situação no concelho do Funchal
O autarca Paulo Cafôfo declarou que "não tem sido fácil o combate a esta calamidade", porque o ataque ao fogo está a ser efetuado num misto de duas áreas - uma florestal (Parque Ecológico do Funchal) e outra "complicada", que é a urbana. A principal artéria da ilha foi cortada entre a zona de São Martinho e Pestana Júnior por razões de segurança.
"Temos três frentes: o flanco do Parque Ecológico e, [na freguesia] do Monte, a zona das Babosas, Laginhas e Corujeira", enumerou, acrescentando que "a situação mais complicada acontece no Caminho do Tanque", onde muitas casas ficaram incendiadas e houve muita população em pânico.
O autarca apontou que "são já dezenas as casas afetadas", embora seja ainda necessário efetuar uma contabilidade das habitações consumidas pelas chamas, "algumas antigas e desabitadas". "Esse levantamento tem de ser realizado para calcular os custos e fazer uma estimativa necessária para recuperação", indicou.
O presidente do município assegurou que não há falta de água para consumo doméstico no concelho e anunciou que a recolha de resíduos urbanos "está cancelada", porque há estradas de várias zonas encerradas e as viaturas da câmara tiveram de ser retiradas do parque dos Viveiros e "estão dispersas pela cidade".
O responsável indicou que foi necessário ainda evacuar o bairro camarário das Laginhas e encontrar soluções para realojar os moradores, o mesmo acontecendo com a Estalagem do Monte, que estava "cheia" de hóspedes.