Só no fim de Agosto o Garcia de Orta espera ter concluído o inquérito ao acidente que provocou lesões em duas crianças. A directora clínica fala num «azar» que acontece uma vez num milhão.
Um troca de medicamentos no Hospital Garcia de Orta, em Almada, na quinta-feira, que envolveu duas crianças, de três anos e 18 meses, esteve na origem de um erro clínico imediatamente identificado.
Esta segunda-feira, em conferência de imprensa, a directora clínica do hospital lamentou o «azar», frisando que a troca dos fracos dos medicamentos manipulados na farmácia do hospital acontece uma vez num milhão.
Os fármacos «estão devidamente rotulados, têm uma dimensão equivalente, não faz sentido estar uma coisa ao pé da outra nem as normas de utilização» exigem que «estejam em compartimentos quer contíguos quer juntos», disse.
Logo, acrescentou Ana França, «a probabilidade de se juntarem os dois medicamentos é um para um milhão, uma vez que são utilizados em circunstâncias completamente diferentes». «Houve um azar qualquer e uma circunstância que desencadeou este processo e que temos de esclarecer», considerou.
O inquérito interno já foi aberto, a médica não foi suspensa nem virá a ser, pelo menos nos próximos dois meses, porque é credível e de confiança, adiantou a director clínica.
«Em termos de confiança seria pouco plausível que uma pessoa cuidadosa» e que tem uma «atenção redobrada sobre os seus doentes» fosse «prejudicada numa fase de inquérito», afirmou.
As duas crianças já saíram da unidade de cuidados intensivos e foram transferidas para a enfermaria de pediatria, cujo director afirmou que as expectativas são «boas» no que se refere às sequelas rectais, que devem ficar completamente resolvidas.
Quanto à lesão no esófago, Anselmo Costa mostrou-se mais preocupado, alertando que «pode deixar algumas complicações».