Jovem portuguesa cria aplicação que impede burlas por telefone: "Segurança é para todos"

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O "Guardião" usa a inteligência artificial para identificar palavras ou comportamentos habituais usados em contexto de burla durante uma conversa telefónica ou por mensagem. A aplicação foi criada depois de a avó de Rita Barbosa ter sido vítima de burla em 2024. A jovem engenheira refere à TSF que a avó recebeu uma chamada onde os burlões pediram mais de mil euros por um filtro de água, que custa à volta de 20 euros
Rita Barbosa, de 24 anos, é engenheira e desenvolveu um projeto vencedor do maior evento de programação com inteligência artificial da Alemanha. Chama-se "Guardião" e identifica palavras que são normalmente usadas em contexto de burla durante uma chamada ou por mensagens escritas.
A aplicação foi criada depois de a avó de Rita Barbosa ter sido vítima de burla em 2024. A jovem engenheira refere à TSF que a avó recebeu uma chamada onde os burlões pediram mais de mil euros por um filtro de água, que custa à volta de 20 euros. Diz que naquele momento sentiu a necessidade de ajudar quem não percebe que está a ser alvo de fraude, como foi o caso da avó.
"Eu pensei que, na altura, não havia plataformas ou aplicações ou qualquer coisa que a protegesse. Então, a ideia começou a surgir, mas não tinha nada delineado. Mais tarde, quando comecei os meus estudos em inteligência artificial na Alemanha, apercebi-me que havia qualquer coisa ali que podia ajudar-me a trazer algo para ajudar. E depois surgiu a oportunidade de um evento de programação e pensei que, com as ferramentas que tenho agora e as que vou ter - as ferramentas desse evento -, consigo trazer algo que poderá ajudar e poderá parar este tipo de burlas", conta.
Rita Barbosa é aluna de mestrado em Inteligência Artificial na Universidade Técnica de Hamburgo, na Alemanha, país onde decorreu, em janeiro, o "Cursor IA Hackathon", o maior evento de programação com inteligência artificial da Alemanha e um dos maiores da Europa, que contou com 450 participantes de 48 países diferentes. Juntamente com outros três colegas de mestrado, Rita levou a ideia de combate a burlas que, depois de passar como um dos dez melhores projetos do concurso, acabaria por ser nomeado primeiro lugar. A recompensa foi 70 mil dólares (cerca de 59.330 euros) em prémios, créditos e planos.
Depois de dois dias de trabalho (tempo limite dado pelo evento), saiu do "Hackathon" um protótipo da aplicação que está programada para ser lançada em março. O "Guardião" usa a inteligência artificial para identificar palavras ou comportamentos habituais usados em contexto de burla durante uma conversa telefónica ou por mensagem. Rita Barbosa diz à TSF que quer tentar parcerias com outras plataformas usadas para esquemas fraudulentos, mas também com a polícia.
"Nós começámos primeiro com os telefonemas e as mensagens, porque de facto, em 48 horas não se conseguia integrar tudo. Mas já pensámos em integrar também com o WhatsApp, porque imensas das histórias de burlas que nos foram contadas foram no WhatsApp. Já pensámos que, possivelmente no futuro, conseguiríamos fazer uma parceria com o MBWay. (...) Também pensámos em fazer um relatório direto com as autoridades, porque também recebemos histórias de pessoas que, embora não tivessem sido burladas, gostavam de reportar o número e tudo o que aconteceu, no entanto, as autoridades apenas lhes disseram: 'Bom, não aconteceu nada, portanto, não há nada que possamos fazer por si'", explica.
O projeto foi idealizado, exclusivamente, para pessoas da terceira idade, que podem ter dificuldade em usar o telemóvel. No entanto, Rita Barbosa e a equipa com quem trabalha tiveram sempre em mente que a simplificação da ideia só traria benefícios. Isto porque, apesar de, muitas vezes, as novas tecnologias não agradarem aos mais velhos, a segurança deve ser garantida para toda a gente.
"Tenho tido feedback por parte de pessoas mais velhas. Claro que me dizem que não sabem como instalar no telemóvel. Pensei que, de facto, para a maioria das pessoas, há sempre alguém para as ajudar, como nos lares, ou filhos, ou netos, ou alguém amigo que normalmente consegue ajudar, mas nós também queremos facilitar tudo ao máximo possível. Isto foi pensado totalmente para as pessoas mais velhas e estamos a tentar chegar ao máximo de pessoas possível, independentemente de se têm filhos ou netos, é para todos. Segurança é para todos", clarifica.
Rita Barbosa, engenheira informática portuguesa de 24 anos, vinca que começou este projeto na Alemanha, mas sempre com o objetivo de o trazer para Portugal, para fazer com que outras pessoas não sejam enganadas, como a sua avó foi. Segundo a Linha Internet Segura, o crime cibernético foi o mais reportado no ano passado. Só em 2025 foram registadas 358 situações, um aumento de 44% face aos 247 de 2024.
