"Khronos": o espetáculo que promete quebrar a barreira entre o desporto e a arte

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"Parecem mundos tão próximos, mas teimam em dizer que são distintos", observa Loureço França, diretor técnico de "Khronos", que sobe ao palco do Coliseu do Porto esta terça-feira. Atletas e artistas contracenam num espetáculo "transdisciplinar".
O desporto e a arte vão andar de mãos dadas no Coliseu do Porto. "Khronos" sobe ao palco numa noite que junta a acrobacia à dança, passando pela patinagem e pelo circo. Ao todo serão 80 pessoas em palco, onde a passagem do tempo é a protagonista entre as várias disciplinas que fazem parte da atuação.
Para o diretor técnico de "Khronos", "as bailarinas podem entrar num espetáculo que não é desportivo, mas que tem acrobacia, que é desporto e que pode ser arte". Esse mote é transposto para a atuação que marca a véspera de feriado na cidade do Porto.
Ginastas do ArtGym Company juntam-se a atletas campeões do mundo e da Europa pelo Acro Clube da Maia. Há ainda patinadores, também campeões europeus da modalidade, a contracenar com artistas de circo e bailarinos das escolas de dança Pallco e Cuca Anacoreta.
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Tudo isto confere ao espetáculo um caráter "transdisciplinar", já que "são várias as disciplinas que estão envolvidas". No entanto, nenhuma delas sobe ao palco de forma isolada.
Bárbara Sequeira é uma das atletas que já colocou o Acro Clube da Maia no mapa, devido aos títulos internacionais que já conquistou. A meio do ensaio e das catapultas humanas cheias de rodopios e mortais, arranjou tempo para contar à TSF que agora, no palco do Coliseu do Porto, a responsabilidade mantém-se, mas existe a dificuldade acrescida de aguentar a hora e meia de espetáculo. "Essa é a parte mais complicada", confessa.
O compromisso, diz Bárbara Sequeira, passa por "fazer um bom espetáculo", já que "pode ser a primeira vez que algumas pessoas têm contacto com a ginástica acrobática".
Quanto ao fio condutor de todas as disciplinas, Lourenço França explica que "Khronos" é um espetáculo sobre o tempo e a vida, "usa os ritmos circadianos, mas faz o transfere para o nascimento, para o envelhecer, para a morte e para o renascimento".
É no Acro Clube da Maia que parte do "Khronos" foi preparado. Lado a lado com crianças que estão a dar as primeiras cambalhotas, tudo é ensaiado até à exaustão, na cadência certa e ao som da música, como se de um bailado se tratasse. E tudo para que o espetáculo funcione como um relógio suíço, uma vez que existe um risco associado às acrobacias que são feitas.
Lourenço França considera que esse risco também atrai público e dá o exemplo do Cirque du Soleil, que não entra aqui por acaso. Além de ser uma referência para Úrsula Martins - diretora artística - e também para o diretor técnico, Lourenço França revela que a companhia internacional "ajudou na construção dos números e na logística" da atuação.
Os ensaios começaram em agosto, mas o espetáculo estava em mente há mais de dois anos. "Khronos" sobe agora ao palco do Coliseu do Porto, com a possibilidade de voltar a entrar em cena noutras salas do país.