Lisboa acorda de "catástrofe" já expectável: "Aquela curva era sempre aquela curva, um dia ia acontecer uma desgraça"

Patricia de Melo Moreira/AFP
A TSF saiu à rua esta quinta-feira de manhã e encontrou ainda destroços do Elevador na Glória. No local estavam ainda alguns curiosos à procura de registar este momento singular na história de Lisboa
Lisboa acordou de uma “catástrofe”. Esta quinta-feira de manhã, por volta das 08h00, ainda eram visíveis “os destroços” do Elevador da Glória, mas no local já não estavam autoridades, apenas curiosos para tirar fotografias, ou registar em vídeo este momento singular na história da cidade.
Cristina Dias trabalha na zona dos Restauradores, mas já trabalhou no Largo da Trindade, perto do Chiado. Subir o elevador, por isso, já fez parte da sua rotina e, embora “surreal”, o acidente desta quarta-feira não foi totalmente uma surpresa.
“Lembro-me que na altura, há 25 anos, aquela curva era sempre aquela curva em que o próprio elevador tinha bastante trepidação. Parecia que ali os carris não encaixavam bem. Portanto, naquela curva sentia-se sempre isto e eu pensava sempre: ‘Um dia vai acontecer uma desgraça'”, contou à TSF.
“Sentia-se que não era aquele deslizar normal. Aquela curva parece que era sempre feita com alguma dificuldade. É uma catástrofe mesmo”, sustentou.
Cristina Dias não tem mais palavras para descrever o que aconteceu, tal como inúmeras outras pessoas no local. Foram várias aqueles que deixaram flores e velas junto ao local, em homenagem às pessoas que morreram no acidente de quarta-feira.
Durante a manhã, a polícia continuava junto ao Elevador da Glória para controlar a área envolvente. Eram ainda visíveis os destroços da carruagem que descarrilou.
O acidente no Elevador da Glória fez pelo menos 17 mortos. Das 38 pessoas afetadas, 15 morreram na quarta-feira e 23 foram transportadas ou deslocaram-se por meios próprios para hospitais, duas das quais acabaram por morrer durante a noite.
