
O ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes
António Pedro Santos/Lusa
O ministro José Manuel Fernandes, foi ouvido esta quarta feira no parlamento, na sequência de um discurso em video feito numa reunião de quadros dirigentes do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
José Manuel Fernandes, ouvido nas comissões parlamentares de ambiente e da agricultura nega ter feito um discurso a pressionar a atuação do ICNF no sentido de aprovar projetos com impacto no ambiente.
Perante os deputados, o ministro da agricultura afirmou por varias vezes que não é um radical. "O radical é aquele que só olha para o lobo e não vê o pastor", argumenta.
"Um radical é aquele que interpreta palavras que eu não disse por uma questão ideológica. Um radical é aquele que é contra a barragem de Girabolhos que pode proteger vidas e evitar cheias".
A barragem de Girabolhos, cuja construção foi suspensa em 2016, mas que o atual governo quer recuperar, para conter as águas no alto Mondego.
O ministro José Manuel Fernandes, acusa os socialistas e "aqueles que fizeram parte da geringonça" de terem chumbado, há dez anos, a barragem de Girabolhos "que tinha impedido a tragédia que hoje estamos a viver, nomeadamente as cheias que estamos a viver. E isso sim é proteção civil, é coesão territorial. Foi em 2016 que a ideologia radical não avançou com esta obra".
Para o ministro da Agricultura "não é por acaso que essa ideologia radical é contra barragens que são absolutamente essenciais para a coesão territorial, que são absolutamente essenciais para o controlo das cheias. Revisitem o passado, a barragem estava pronta para ser adjudicada".
Outro exemplo dado pelo governante passa pela proteção dos sobreiros. "Acha bem que para retirar meia dúzia de sobreiros para habitação financiada pelo PRR, no loteamento habitacional para fazer 48 fogos, se esteja seis meses à espera? Não pode!"
Por isso, "a lei do sobreiro deve ser mudada, sabe porquê? Porque a lei do sobreiro é para proteger a cortiça ou o montado por uma questão de conservação, mas isso nas zonas urbanas não acontece. Nas zonas urbanas, para tirar três sobreiros demora uma eternidade, mas se quiser podar o sobreiro que tenha lá em sua casa, tem que pedir uma autorização", justifica o ministro.
O ministro adianta que estamos perante um "radicalismo inaceitável", que "gera imobilismo" e "ilhas de soberania".