Ministro defende "travão" nos apoios às vinhas. Confederação discorda e lembra que agricultores precisam de ajuda

Reinaldo Rodrigues/Global Imagens (arquivo)
Em declarações à TSF, Pedro Santos, da Confederação Nacional da Agricultura, considera que o stock de vinhos é “uma questão grave, mas que não se resolve com o deixar de plantar a vinha nova ou acabar com os apoios da modernização da vinha".
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O ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, defende que os apoios à plantação de vinhas já deviam ter parado há muito tempo. Em entrevista ao jornal Público, o governante considera que Portugal tem um probelma com o stock de vinho e que o Programa de Apoio à Reestruturação e Reconversão da Vinha não é solução.
Segundo José Manuel Fernandes, há um stock "grande" de vinho e que já foram gastos mais de 60 milhões de euros em destilação. Por isso, o ministro da Agricultura defende que terá de haver um "travão" no programa de apoio às vinhas. Caso contrário, o dinheiro está a ser desperdiçado.
José Manuel Fernandes diz que "nenhum português percebe que se esteja a dar recursos financeiros para plantar vinha, para depois a arrancar ou para o vinho ser destilado". O ministro defende ainda que terá de haver uma estratégia para se remover as barreiras alfandegárias em países terceiros para que seja possível exportar. No entanto, este ano já não é possível.
À TSF, Pedro Santos, membro da direção da Confederação Nacional da Agricultura, considera que o stock de vinhos é “uma questão grave, mas que não se resolve com o deixar de plantar a vinha nova ou acabar com os apoios da modernização da vinha".
“Isto tem a ver com os aumentos dos direitos de plantação. A União Europeia permitiu que os vários Estados-membros fossem aumentando a sua área de vinha em 1%. Se não resolvermos o problema por aí, Portugal pode deixar de plantar, mas os excedentes vão continuar. É uma abordagem que peca por defeito e que precisa de medidas", explica.
Pedro Santos realça a importância de valorizar o mercado interno e aponta para algumas soluções, como “apoiar os pequenos e médios viticultores”.
“Quando falamos na região do Douro, falamos em concretizar as eleições e colocar uma estrutura a funcionar. Depois, olhar para a UE e o caminho da regulação completa do mercado e o aumento de área dos direitos de plantação e perceber se é um caminho a continuar. Na nossa opinião não. E há uma necessidade de apoiar os pequenos e médios viticultores", sublinha.
Sobre os protestos dos agricultores, Pedro Santos diz que que a Confederação Nacional da Agricultura considera que “ainda não percebeu a abordagem do ministro e do Governo” e que a “insatisfação continua”.
“Ainda não percebemos qual é a ideia do ministro e deste Governo em relação à reprogramação do PEPAC. A insatisfação continua, se vissemos que os problemas estavam resolvidos ou havia uma forma de os resolver… mas não. Os problemas continuam e o clima de frustração dos agricultores também”, acrescenta.
