"Para que possam renascer." Produtores de ovelhas e cabras podem receber apoio financeiro em Mação

Créditos: Artur Machado/Global Imagens (arquivo)
O concelho de Mação, no distrito de Santarém, quer contrariar a realidade das últimas décadas. A quebra do número de ovelhas e de cabras é superior a 80% e, por isso, a câmara aprovou um apoio financeiro para os produtores que têm rebanhos
O presidente da Câmara Municipal de Mação, José Fernando Martins, afirma, em declarações à TSF, que faz falta ter mais animais no pasto porque a região "era muito virada para a silvicultura e para a agricultura". "Uma agricultura de subsistência em que todas as famílias tinham normalmente um rebanho, do qual viviam e faziam um complemento para a vida", refere. O autarca lamenta que este " tipo de rebanho e produção tenha desaparecido", visto que chegaram a ter "contabilizados na década de 1980 cerca de 30 mil pequenos ruminantes e agora são quatro ou cinco mil". "Foi uma redução drástica", sublinha.
O apoio local para ajudar os produtores de ovelhas e cabras de Mação será "na ordem dos dez mil euros". "É uma coisa simbólica. Aquilo que está aprovado é que para ovinos adultos reprodutores seja pago 12 euros por cada um e para caprinos adultos reprodutores cerca de 16 euros. É um valor para podermos incentivar produções", destaca.
O presidente da Câmara Municipal de Mação explica esta ajuda financeira só está disponível para "residentes no concelho" - que devem "submeter a candidatura nos serviços da autarquia" e depois "é feita a verificação dos dados". "As pessoas vão ter de comprovar uma situação tributária regularizada, mas é um procedimento simples. Isto é um trabalho feito em articulação com o veterinário municipal que tem os registos de todas estas cabeças de gado", garante José Fernando Martins.
Em Mação não falta trabalho para as cabras e para as ovelhas, já que estes "pequenos ruminantes" podem ser "controladores da floresta e dos campos agrícolas", evitando o "problemas dos incêndios". Por outro lado, "temos produtos tradicionais de excelência e um bom clima, nomeadamente para a cura de queijo", diz, acrescentando: "É de especial importância que estes animais possam renascer."
Para o líder do executivo de Mação, a redução do número de ovinos e caprinos no concelho deve-se "ao abandono dos terrenos e à falta de emprego, que obrigou as pessoas a saírem para o litoral e para as grandes cidades". "A agricultura deixou de ser rentável e nos anos 1980 começaram a surgir os grandes incêndios. A floresta e a agricultura eram as principais fontes de rendimento das pessoas que viviam aqui. Existiam as serrações de madeira, os campos agrícolas cultivados e os rebanhos de gado que faziam um complemento entre a parte da agricultura e a parte da floresta. Depois, a comercialização das carnes, do leite, dos queijos", destaca também o autarca.
"Eu costumo dizer em jeito de brincadeira e de verdade que muitos cursos superiores feitos nos anos 1960, 1970 e 1980 e muitos apartamentos nas grandes cidades tenham sido adquiridos com o dinheiro aqui da floresta, da agricultura e dos rebanhos", considera ainda José Fernando Martins.
De acordo com a câmara, as candidaturas ao apoio financeiro estão disponíveis até 30 de maio.