Os comunistas entendem que Governo, Banco de Portugal, CMVM e BCE tiveram a sua quota parte de culpa na «gestão danosa e ilegal» do Banco Espírito Santo.
O PCP deu o primeiro passo rumo a uma comissão parlamentar de inquérito ao caso BES, onde pretendem ver avaliado o comportamento do Governo e de outras entidades de supervisão e regulação desde 2008 neste processo.
Os comunistas não poupam críticas ao Governo, Banco de Portugal, CMVM e BCE e entendem que todas estas entidades tiveram a sua quota parte de culpa na «gestão danosa e ilegal» da instituição antigamente liderada por Ricardo Salgado.
Num texto, o PCP fala em «fraude financeira com aproveitamentos e vantagens pessoais para diversos acionistas e gestores do Banco e do Grupo Espírito Santo e diz querer saber o que levou à rutura do BES.
O líder parlamentar comunista disse ainda ser preciso «avaliar as condições em que foi aplicada a medida de resolução do Banco de Portugal e suas consequências» e «avaliar a intervenção do Fundo de Resolução e a eventual utilização direta ou indireta, imediata ou a prazo de dinheiros públicos».
«Adotou-se uma solução que em nada garante que os portugueses não serão, uma vez mais, chamados a suportar a fatura das práticas especulativas em substituição dos acionistas privados que durante anos acumularam avultados lucros e dividendos», acrescentou João Oliveira.
O líder parlamentar do PCP apontou o dedo em particular aos «que, na fase final do processo, se desoneraram das suas obrigações, alienando as suas participações sociais para não assumiram qualquer tipo de responsabilidades».
Os comunistas, que pretendem que a comissão tenha o «âmbito abrangente» que propõem, garantem ainda que não querem fazer regressar ao Parlamento os casos BPN e BCP.