Pensavam estar preparados, mas 47 anos depois a cheia voltou a surpreender a Ribeira de Santarém

Vista geral das cheias, em Santarém
Créditos: António Pedro Santos/Lusa
Na Ribeira de Santarém, a subida das águas do Rio Tejo já retirou muitas pessoas das suas casas. Além das preocupações de quem possa ter tudo destruído em casa, há também quem se preocupe com um espólio que não é possível recuperar. O Museu Etnográfico e a sede do Rancho Folclórico desta localidade está também submerso. A água não para de correr: "Em 1979 também vivemos uma cheia grande, mas isto apanhou-nos de surpresa."
A água sai a borbulhar das sarjetas que ainda se encontram em terreno seco. "Mas pelo que eu estou a ver ela tanto baixa, mas depois sobe. Agora está assim, mas se for ver à noite ou amanhã de manhã, a água já está ali", atira Manuel José Menino, um popular, em conversa com a TSF, na Ribeira de Santarém.
Bem desalentado, porque continua quase tudo na mesma, confessou: "Não esperávamos uma cheia com esta dimensão. Em 1979 também vivemos uma cheia grande e muito complicada e informação que tínhamos é que vinha aí uma cheia, mas não com uma dimensão desta. Portanto, isto apanhou-nos de surpresa e, enfim, estamos a guardar e a água se vá embora."
Manuel Menino está ansioso por saber como está o Museu Etnográfico e a sede do Rancho Folclórico da Ribeira de Santarém, do qual é diretor. Teme, disse, que todo o espólio esteja arruinado."Temos lá todo o arquivo, trajes, calçado, enfim, esta para lá tudo."
Embora os moradores da Ribeira de Santarém já estejam habituados a cheias, esta atingiu grandes dimensões e, pela experiência já acumulada, apontam para "uma a duas semanas" para as águas do Tejo começar a vazar. É demasiado tempo de espera para quem quer voltar à normalidade possível.