
Orlando Almeida/Global Imagens (arquivo)
A ação de protesto da ASPP pretende manifestar "oposição à mistura entre caridade e dignidade profissional que o Governo pretende imprimir" e "demonstrar mais uma vez que é necessário investir em segurança e dignificar os profissionais da Polícia de Segurança Pública".
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A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) realiza esta terça-feira à tarde um protesto em frente à Assembleia da República, em Lisboa, no dia em que o ministro da Administração Interna se reúne com os sindicatos da PSP.
No âmbito da campanha "Dignidade Não é Caridade", a ação de protesto da ASPP pretende manifestar "oposição à mistura entre caridade e dignidade profissional que o Governo pretende imprimir" e "demonstrar mais uma vez que é necessário investir em segurança e dignificar os profissionais da Polícia de Segurança Pública".
Em declarações à TSF, o presidente da ASPP, Paulo Santos, explica o objetivo do protesto. "Aquilo que vamos fazer hoje junto ao Parlamento também tem a ver com a entrada do OE, mas aquilo que nós pretendemos, uma vez mais, é dizer às populações, ao Governo e aos grupos parlamentares que aquilo que estamos a perceber que o Governo quer fazer para responder aos constrangimentos da PSP não corresponde àquilo que é necessário", afirma, sublinhando que a PSP "não quer caridade, não quer assistencialismo social, mas sim que o Governo encare os problemas da PSP com seriedade, que possa sentar-se à mesa com os sindicatos e dar respostas concretas e efetivas".
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Paulo Santos refere que não conhece a proposta do Governo para aumentos salariais, mas parecem trocos. "Temos que colocar como perspetiva de análise aquilo que é o aumento do custo de vida que os polícias também estão sujeitos como os demais trabalhadores", defende.
"Não queremos acreditar que estes valores [apresentados pelo Governo] venham responder àquilo que é o necessário na instituição", diz, acrescentando que "estaremos disponíveis para falar com o Governo para ver se encontramos soluções que evitem este constante adiar da resolução dos problemas".
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O presidente da ASPP, Paulo Santos, disse à Lusa que o Governo está a preparar um pacote de medidas sociais para os polícias, como alojamentos ou creches para os filhos dos polícias, mas insistiu que "as questões de dignificação salarial, melhorias das condições de trabalho e o respeito pela condição policial não se respondem com caridade ou assistencialismo social".
A concentração realiza-se um dia depois de o Governo ter apresentado na Assembleia da República a proposta do Orçamento do Estado (OE) para 2023 e no dia em que o ministro José Luís Carneiro tem uma reunião com os sindicatos da Polícia de Segurança Pública.
A reunião entre o ministro e os sindicatos da PSP está marcada para as 18h00 e duas horas antes, às 16h00, José Luis Carneiro tem encontro marcado com os representantes das associações socioprofissionais da Guarda Nacional Republicana, sendo um dos assuntos em cima da mesa a tabela remuneratória para 2023.
O protesto da ASPP acontece numa altura em que o maior sindicato da PSP está a fazer uma auscultação aos associados até ao final de outubro sobre os protestos que querem realizar.
A ASPP admite realizar uma manifestação nacional em novembro caso o Governo não dê passos para a resolução dos problemas, sendo o mais urgente os aumentos salariais.
* Notícia atualizada às 08h25