Presidente da Associação de Municípios diz que ministro resistiu "ao vírus do centralismo"

PAULO CUNHA/LUSA
Manuel Machado diz que Miguel Poiares Maduro, o ministro que se prepara para abandonar a política, podia ter feito mais enquanto governante, mas admitiu que a sua sensibilidade lhe permitiu resistir "ao vírus do centralismo".
"Tenho a sensação de que o dr. Poiares Maduro é um cidadão empenhado, ele foi criado numa família de autarcas e, provavelmente, tem alguma sensibilidade diferente de outros que lhe permite resistir melhor ao vírus do centralismo", afirmou Manuel Machado em Pombal, distrito de Leiria, à margem da convenção de líderes municipais para o investimento e internacionalização.
Manuel Machado, também presidente da Câmara de Coimbra eleito pelo PS, referiu que o ministro-Adjunto e do Desenvolvimento Regional "não será dos ministros centralistas e também sofre com o centralismo" e, "tendo conhecido outros territórios, é natural que tenha mais sensibilidade para compreender" as angústias dos autarcas.
O presidente da associação reconheceu que tem "divergido muitas vezes" de Poiares Maduro que, "como ministro, podia ter feito mais", mas, "eventualmente, não o deixaram".
"O que nós desejamos é que quando se está ministro ou quando se está no Governo se encare o interesse nacional com uma determinação sempre, sempre constante, sempre, sempre motivada para melhorar a vida coletiva", acrescentou.
O ministro-Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, disse no sábado à agência Lusa que vai abandonar a política no final da legislatura e regressar à carreira académica no estrangeiro.
"Por razões contratuais e também da natureza de uma carreira académica internacional, não era compatível continuar na política agora", afirmou Miguel Poiares Maduro, reafirmando que sempre disse que pretendia ter uma carreira profissional independente da política.
"Não regressar [à universidade] seria, de facto, abandonar a minha carreira académica internacional. Isso inverteria a relação que quero ter entre a política e a minha carreira profissional e que, aliás, sempre afirmei em inúmeras ocasiões", adiantou.