Presidente da Associação Portuguesa de Bioética defende um referendo sobre a eutanásia

Jorge Amaral/ Global Imagens
O movimento "Direito a morrer com dignidade" apresenta este sábado um manifesto a defender a eutanásia. Rui Nunes pede um debate sério e sereno antes de se avançar com alterações legislativas.
O presidente da Associação Portuguesa de Bioética diz que está "na altura de abrir o debate" sobre a Eutanásia em Portugal. Rui Nunes defende que os portugueses não devem avançar num caminho que pode não ter retorno sem estarem muito bem informados. E antes de prever a eutanásia na lei, o país tem de fazer outras coisas.
"Seria mais oportuno pensar em legislar a eutanásia quando tivéssemos uma Rede Nacional de Cuidados Paliativos devidamente implementada no país. O assunto levanta muitas questões éticas. Para que a eutanásia seja aceitável, o professor da Faculdade de medicina da Universidade do porto diz que tem de haver um pedido firme e consistente do doente. Rui Nunes acrescenta que "nunca tem cobertura ética se é um grito de desespero pelas suas circunstâncias de vida".
Para o presidente da Associação de Bioética, a eutanásia, dada a importância e complexidade do tema, não deve avançar sem que antes os portugueses se pronunciem através de um referendo; "Importa que haja um debate profundo, sereno e participado que só um referendo pode trazer. O referendo tem ainda a vantagem da legitimidade democrática. Num tema tão fraturante como este não faz sentido que o debate seja apenas parlamentar".
Nesta altura a eutanásia é permitida em apenas três países da União Europeia, Holanda, Bélgica e Luxemburgo.
O movimento "Direito a morrer com dignidade", que ainda está a recolher assinaturas, entende que as pessoas têm direito a uma morte assistida digna, em casos de sofrimento profundo ou de doenças incuráveis. Os nomes deste movimento não foram ainda revelados mas diz que tem entre os apoiantes médicos e deputados.