Presidente da Brisa recusa responsabilidade pelo colapso do dique que "provocou erosão da zona de apoio ao viaduto" da A1

António Pires de Lima, presidente da Brisa
Álvaro Isidório/Global Imagens (arquivo)
Em entrevista à TSF, António Pires de Lima afirma que a Brisa "não imaginava" que o dique pudesse rebentar por baixo da A1, "provocando um movimento de águas de uma violência tal que acabasse por afetar o aterro onde estava o suporte para o acesso àquele viaduto"
O presidente da Brisa, António Pires de Lima, lamenta que o rebentamento de um dique esteja a afetar os utilizadores da A1, mas assegura que o dique não é da responsabilidade da concessionária.
"É, de facto, um inconveniente grave, que resulta, como toda a gente sabe, do rompimento de um dique que não é de responsabilidade da Brisa, logo debaixo de um viaduto que faz a circulação no Mondego. Temos três aí, de um viaduto que, com águas a movimentarem-se ao ritmo de mais de dois mil metros por segundo, acabaram por provocar erosão da zona de apoio à entrada do viaduto e, com isso, degradaram a base de apoio. Acabou por a zona anterior à entrada no viaduto começar a ter rachas que se prolongaram por metade da autoestrada", disse António Pires de Lima em entrevista à TSF.
O presidente da Brisa fala em coincidências: "Não há nenhuma situação paralela a esta que estamos a viver no Mondego, que ainda por cima é gerada por um cúmulo de coincidências verdadeiramente trágico, porque era previsível que aquele dique do Mondego, ou os vários diques do Mondego pudessem romper, estavam no limite. Mas o que, pelo menos no caso da Brisa, não se imaginava, é que o dique que rompeu fosse romper exatamente por baixo da autoestrada, provocando um movimento de águas de uma violência tal que acabasse por afetar o aterro onde estava o suporte para o acesso àquele viaduto."
Pires de Lima afirma que se o dique "tivesse partido em qualquer outra parte", não teria afetado a autoestrada, pelo que considera uma "coincidência trágica que acabou por afetar o funcionamento daquele troço e que foi logo reconhecido pelas autoridades, tanto pela Proteção Civil, como pelo Ministério das Infraestruturas, como pela própria Brisa".
As obras para impedir o agravamento dos danos já começaram, mas a reabertura daquele troço da A1 vai demorar.
"É um processo que exige paciência de todas as partes. Esta ligação é importante e é muito necessária para as pessoas que fazem a A1, nomeadamente na zona de Coimbra. Temos alternativas, mas não é a mesma coisa. Primeiro, neste momento já estamos a fazer obras, no sentido de fazer o enrocamento daquele buraco, de forma a que ele não se alargue mais. Estamos a colocar muralhas e rochas dentro do espaço do vazio que se criou para que essa zona fique protegida e não se alargue mais, não se estenda a outras partes da autoestrada, nomeadamente ao outro lado. Mas isso são trabalhos para evitar maiores danos. Os trabalhos de recuperação daquele troço só poderão começar quando as águas diminuírem", esclarece.
O presidente da Brisa não se compromete com datas: "Não posso. Neste momento, seria extemporâneo da minha parte, senão se for fazer auditorias, também em colaboração com o LNEC, com a Proteção Civil, os nossos projetistas desta obra que, aliás, aquele viaduto tinha sido alvo de trabalhos de manutenção muito fortes, de alguns milhões de euros, apenas há um ano. Estamos a fazer o diagnóstico, mas eu não sei dizer se são duas, se são quatro semanas. Neste momento, não consigo quantificar o tempo que vamos precisar para, de uma forma segura, pormos aquela infraestrutura naquele quilómetro 190, salvo erro, em funcionamento e com a abertura total. Portanto, aquilo que estamos a pedir às pessoas é muita paciência."
António Pires de Lima assegura que a estrutura da ponte "não foi afetada" e que, "apesar da violência das águas, está lá com um asfalto ótimo, bem pintada e com a estrutura, até agora pelo menos, impecável". Ou seja, aquilo que vai ser reparado "é o aterro que foi destruído pelas águas, que não faz parte da estrutura do viaduto", já que os pilares estão "intactos".
"Há alguns pilares que estão a revelar algum desgaste das terras de proteção. Estamos a trabalhar nisso também com os trabalhos que já estamos a fazer desde hoje de manhã. Isto é evolutivo, hoje vai haver mais cheias e, portanto, eu não posso dar nenhuma garantia definitiva, porque ainda não acabou este tema das chuvas e das cheias e da violência das águas. Mas, até hoje à tarde, a estrutura básica do viaduto e da ponte não estava afetada", revela.
O presidente da Brisa assegura que a prioridade é garantir a segurança dos utilizadores da autoestrada e dos trabalhadores da Brisa.