Proteção Civil alerta para risco de cheias devido a "precipitação persistente"

Créditos: António Pedro Santos/Lusa
A Proteção Civil refere que "o rio Mondego, o Tejo, o Sorraia, o Vouga, o Águeda e o Sado continuam a ser os cursos de água que podem ter um risco agravado de inundação"
A Proteção Civil alertou esta terça-feira para a possibilidade de inundações, devido à "precipitação persistente" prevista para os próximos dias, numa altura em que os solos e os cursos de água já se encontram saturados.
"Do ponto de vista do risco significativo de inundação, o rio Mondego, o Tejo, o Sorraia, o Vouga, o Águeda e o Sado continuam a ser os cursos de água que podem (...) ter um risco agravado de inundação", afirmou o comandante nacional da Proteção Civil.
Mário Silvestre falava na conferência de imprensa sobre o ponto de situação do temporal na sede Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, Oeiras, no distrito de Lisboa.
Segundo o responsável, também os rios Minho, Coura, Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Sousa, Lis, Nabão e o Guadiana correm o risco de inundação.
"É uma lista muito extensa dos principais cursos de água que, neste momento, são afetados ou, potencialmente, serão afetados por inundação. Vai de Norte a Sul do país", salientou.
Mário Silvestre alertou para o potencial impacto dos cursos de água saturados, que tornam a situação atual "tudo menos normal" para o inverno.
Os cursos de água mais pequenos poderão transbordar novamente, afetando zonas que já tinham recuperado de inundações anteriores.
"O potencial de voltarem a ficar inundadas é significativo", alertou, referindo que o rio Douro deverá ser o "menos afetado" e que o "plano da bacia do Tejo continua no seu nível mais elevado - no nível vermelho".
O comandante da ANEPC reforçou que "a maior preocupação é efetivamente a precipitação", que poderá provocar novos episódios de cheia em várias bacias hidrográficas.
O responsável adiantou ainda que poderão ocorrer rajadas fortes nas terras altas e "agitação marítima que poderá ir aos 10, 11 metros de altura", com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) a manter os avisos amarelos e laranja para vários distritos do Norte e Centro.
O comandante da ANEPC voltou a reforçar os apelos à população para adotar comportamentos de segurança adequados, sobretudo nas áreas vulneráveis, recomendando que as pessoas "preservem os seus bens, retirem os bens de casa e salvaguardem também a sua segurança".
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
