PS acusa Governo de ser implacável com os indefesos e submisso a «grandes interesses»

Carlos Zorrinho
O líder parlamentar do PS acusou o Governo de ser implacável com os cidadãos mais indefesos, mas submisso em relação a grandes interesses internacionais, dando como exemplo os processos de privatização em curso.
Carlos Zorrinho falava aos jornalistas no final da reunião do Grupo Parlamentar do PS, na qual estiveram em debate temas como as privatizações e o objetivo do Governo de criar comunidades intermunicipais (CIM).
«Este Governo é implacável face aos cidadãos indefesos, mas é submisso em relação aos grandes interesses internacionais. No caso das privatizações da TAP e da ANA, o Governo anuncia que quer fazê-las rapidamente, mas percebe-se que ainda não nomeou as comissões de acompanhamento», apontou o presidente da bancada socialista.
Segundo Carlos Zorrinho, seguindo esta linha, o Governo demonstra que «não quer comissões de acompanhamento, desejando apenas ter comissões de ratificação das suas decisões».
«Faz cada vez mais sentido a proposta do PS para que estes processos de privatização, a bem do interesse nacional, sejam suspensos e depois retomados com rigor e transparência», disse.
Em relação à projetada reforma do Poder Local, com a criação de comunidades intermunicipais, Carlos Zorrinho reiterou a indisponibilidade do PS para chegar a um consenso com o executivo.
«Não daremos [o consenso]. Não faz sentido que o mesmo Governo que extingue centenas de freguesias rurais, que prestam serviços fundamentais às populações, venha depois criar 21 novas estruturas que irão gerar 73 postos de trabalho remunerados a 55 e 45 por cento do ordenado do Presidente da República», justificou o presidente do Grupo Parlamentar do PS.
De acordo com Carlos Zorrinho, é incompreensível que o Governo invoque falta de dinheiro para suportar os custos muito pouco significativos do serviço direto às populações, mas que haja dinheiro «para passar a remunerar funções que já são exercidas de forma indireta».