O PS advertiu o Governo que se irá opor usando todos os meios «parlamentares e judiciais» disponíveis ao diploma hoje aprovado em Conselho de Ministros que cria novos sistemas multimunicipais de abastecimento de água e saneamento.
Esta posição foi transmitida à agência Lusa pelo presidente da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS, Marcos Perestrello, depois de o Governo ter aprovado a criação de sistemas multimunicipais de abastecimento de água e saneamento do Norte, Centro Litoral e Lisboa e Vale do Tejo, visando promover uma "harmonização tarifária" entre o interior e o litoral.
«O PS/FAUL usará os mecanismos parlamentares e judiciais para travar este esbulho às câmaras municipais e mais este rombo nas algibeiras dos portugueses», declarou o dirigente socialista.
Numa nota enviada à agência Lusa, Marcos Perestrello, também vice-presidente da bancada socialista, considera que a agregação de oito sistemas multimunicipais de abastecimento de água e saneamento e a fusão de oito entidades gestoras terá como consequência "um grave prejuízo para as pessoas e para as câmaras municipais do distrito de Lisboa".
«Com este sistema, o governo esbulha as câmaras municipais que geriram bem os seus sistemas, integrando o seu património na nova empresa, onde são também integrados os sistemas deficitários em milhões de euros. Às câmaras cumpridoras é retirado património avaliado em dezenas de milhões de euros», acusa Marcos Perestrello.
Ainda de acordo com o líder do PS/FAUL, «com este sistema, o Governo prepara-se para forçar um aumento muito alto do preço da água».
No entanto, para o ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, o Governo concluiu hoje a reforma do setor das águas, que passa por «um fortíssimo emagrecimento» do grupo Águas de Portugal, agregando 19 empresas regionais em cinco entidades e reduzindo custos em 2700 milhões de euros.