Os agentes da PSP e os militares da GNR não entendem a diferenciação que o Governo pretende introduzir nos valores a serem pagos pelos clubes desportivos pelos chamados gratificados.
A intenção do Executivo é que os elementos das forças de segurança passem a receber mais pela prestação desses serviços, mas defende que no caso de iniciativas dos clubes esse valor deve ter uma redução especial de 15 por cento.
Em declarações à TSF, Paulo Rodrigues, dirigente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), não vê razão de ser para essa distinção.
«A prestação do serviço deve merecer um valor razoável de acordo com a tabela, no entanto não deve haver diferenciação a quem se presta o serviço. Se um polícia prestar um serviço de quatro horas a uma empresa privada deve receber o mesmo valor que se prestar esse mesmo serviço a um clube de futebol», explicou
«E neste momento aquilo que o Governo pretende é que o valor/hora para a prestação do serviço para o futebol seja reduzido a 15 por cento, ou seja, há aqui um benefício para os clubes de futebol e algumas organizações desportivas», criticou Paulo Rodrigues.
Também o vice-presidente da Associação de Profissionais da Guarda contesta o desconto aos clubes proposto pelo Governo. À TSF, César Nogueira sublinhou aliás que vem daí a maior fatia dos serviços gratificados.
«Essa redução está sujeita a eventos desportivos, principalmente nas camadas jovens, isso seria na maior parte dos serviços remunerados que a GNR e os seus profissionais efectuam. Era uma redução significativa no valor, sendo que a maior parte dos militares vai fazer esses 'gratificados' após já várias horas de serviço e para compensar o seu orçamento devido aos cortes que também os militares da GNR sofreram», defendeu César Nogueira.