Os pais de filhos com paralisia cerebral temem o que o futuro lhes reserva. O projeto "Cuidar dos Cuidadores", que presta apoio a estas famílias, está a terminar sem deixar alternativas.
"Cuidar dos Cuidadores" é o nome de um projeto financiado com dinheiro europeu e que no último ano foi a salvação de muitas famílias com crianças com paralisia cerebral.
Apesar do sucesso, o projeto está quase a acabar e não se sabe, ainda, se pode ser prolongado.
O "Cuidar dos Cuidadores" envolve enfermeiros especializados que em casa destas famílias cuidam das crianças para que os pais possam sair, fazer uma tarefa, ou simplesmente, tomar um café.
A Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral liderou o projeto em parceria com doze Associações de Paralisia Cerebral a nível nacional. Uma rede que foi criada a pensar nos cuidadores familiares de crianças com paralisia cerebral grave, dos 0 aos 6 anos, visando diminuir a sobrecarga, física e emocional que advém da prestação de cuidados.
"Cuidar dos Cuidadores" funciona através da criação de equipas locais, estruturadas e organizadas. As equipas são constituídas por profissionais qualificados, nomeadamente da área de enfermagem, sempre que os cuidadores familiares necessitem de informação, de apoio para cuidar do seu filho com paralisia cerebral e, sobretudo, sempre que necessitem de momentos de lazer.
Com o fim à vista deste programa, Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral diz que aos pais não lhes restará «dignidade». Os cuidadores «perdem tudo» e têm apoios escassos.
Eulália Calado, presidente da federação, escutada pela TSF, explica que para continuar este projeto têm de se candidatar a mais fundos europeus. O problema, diz «é que ainda não recebemos as últimas tranches do primeiro apoio».
Perante o desespero, Eulália Calado questiona o governo: «Porque não apoiar estas causas?».