Risco de derrocada era "do senso comum". Autarca de Vila Viçosa pede fiscalização na região

Carlos Costa/Global Imagens
Manuel Condenado revela que soube de reuniões nas quais se falava da possível interdição da estrada que ligava Borba a Vila Viçosa.
O presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa garante que nunca teve dados concretos que apontassem para uma situação de perigo junto às pedreiras situadas na estrada entre a vila e Borba. Em declarações à TSF, Manuel Condenado admite, ainda assim, que era de prever que acontecesse um acidente deste tipo.
"É uma situação do senso comum. Se a exploração está a escassos metros da estrada, é evidente que há algum risco de derrocada. Um buraco destes nunca deveria estar tão próximo da estrada", considera o autarca, garantindo que esta é uma situação afeta a toda a zona e não apenas à autarquia de Vila Viçosa.
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"A situação é observada ali e na generalidade da zona dos mármores. Não é às câmaras que compete essa fiscalização", entende Manuel Condenado, acrescentando que a fiscalização compete "a quem licencia e fiscaliza".
Para "estar a explorar e a abrir buracos a escassos metros da estrada, é evidente que se corre riscos", entende o presidente do município.
À TSF, o autarca relembra que "há alguns anos", houve reuniões na Câmara Municipal de Borba acerca da instabilidade do local onde ocorreu o aluimento de terras, mas garante que nunca participou em nenhuma.
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"Falava-se na hipótese de interditar a estrada", confirma o presidente da Câmara de Vila Viçosa, adiantando que se tal acontecesse, "seria no município de Borba e não no município de Vila Viçosa."
O autarca garante que "nunca participou nem foi convocado" para estas reuniões, tendo conhecido o seu teor de forma "oficiosa, como munícipe".
Manuel Condenado lamenta que só agora, depois do acidente, "toda a gente" fale em realizar fiscalizações, mas admite que a mesma é necessária. "Para evitar situações futuras idênticas, penso que seria importante uma fiscalização a todas as pedreiras, desativadas ou não, aqui da zona dos mármores".
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"É provável", diz o autarca, que existam situações "muito parecidas" com aquela em que estava a pedreira na qual ocorreu a derrocada. Só no distrito de Évora há 104 pedreiras abandonadas.
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