Saúde mental: quase 20 mil doentes sem consulta com tempos de espera a ultrapassar prazo legal

Rui Oliveira / Global Imagens
Durante o primeiro semestre de 2023, 39% das consultas hospitalares de psiquiatria foram realizadas com um tempo de espera superior ao previsto pela lei.
Há cerca de 20 mil doentes à espera de uma consulta de saúde mental nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde. Com mais de três meses e meio de espera, os casos mais graves são aqueles que têm pior resposta, ultrapassando o tempo medio definido por lei para atendimento.
Os dados constam do relatório "Acesso a cuidados de saúde mental nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde", realizado pela Entidade Reguladora da Saúde e divulgado esta quinta-feira.
Segundo os dados, relativos ao final de junho, havia à escala nacional 677 doentes considerados "muito prioritários" e que por isso, deviam ser atendidos no prazo máximo de 30 dias. No entanto, em mais de metade dos casos, o prazo já tinha sido ultrapassado.
O mesmo acontece com os utentes considerados "prioritários": em junho eram mais de 1600 e em 45% dos casos o tempo legal de espera já tinha sido ultrapassado.
No total, havia no final de junho quase 20 mil doentes à espera de consulta de psicologia ou psiquiatria quando o relatório da Entidade Reguladora da Saúde foi levado a cabo.
Durante o primeiro semestre de 2023, 39% das consultas hospitalares de psiquiatria foram realizadas com um tempo de espera que excedeu os Tempos Máximos de Resposta Garantidos fixados legalmente.
O documento revela ainda que houve melhorias no rácio de médicos, psicólogos e enfermeiros, mas continuam as diferenças consoante as regiões: a situação é melhor no Centro, grande Lisboa e Algarve e pior no Alentejo e na região Norte.
Quanto à cobertura dos cuidados de saúde mental, os menores têm pior acesso do que os adultos. Para as crianças e jovens, há 20 concelhos sem hospital integrado na rede de saúde mental até uma hora de distância. O Algarve é onde a resposta é mais insuficiente
Em termos de atividade desta rede de hospitais, o volume de consultas de psiquiatria tem crescido de forma sustentada desde 2018, a uma taxa média anual de 5%, e que o número de consultas de psicologia cresceu todos os anos a nível nacional, a uma taxa média de crescimento anual de 12%, revela ainda o estudo.
Em sentido inverso, o número de internamentos em saúde mental apresentou uma redução média de cerca de 2% ao ano entre 2018 e 2022.