
José Sócrates
A SEDES prepara-se para lançar mais uma análise amarga ao Estado do país. Depois de, em Fevereiro, ter alertado para um mal-estar difuso que «alastra» e «mina» a confiança essencial à coesão nacional, a Associação para o Desenvolvimento Económico e Social acusa agora o Governo de governar com o pensamento fixo nas eleições de 2009.
Para este grupo cívico não há dúvidas de que o aproximar de actos eleitorais, como as legislativas, autárquicas e europeias no próximo ano, tem tido consequências claras e visíveis na vida política portuguesa.
Segundo o documento a que o jornal Público teve acesso, a SEDES considera que as consequências não são positivas.
Depois de três anos de esforços orçamentais e de várias reformas que exigiram coragem política, o Executivo começa agora a recuar, aponta a SEDES.
Este grupo, liderado pelo antigo ministro das Finanças, Campos e Cunha, dá como exemplos a declaração do fim da crise orçamental, a ênfase em investimentos públicos, a cedência à agitação social e as recentes baixas de impostos.
De acordo com o documento, o contexto social, político e económico alterou-se substancialmente.
A SEDES fala também da nova realidade pós-eleição Manuela Ferreira Leite, considerando que no PSD pode ter-se iniciado um ciclo de estabilidade, condição necessária para a afirmação de uma alternativa.
Quanto aos partidos da esquerda, apesar de não constituírem uma alternativa credível, estão em aparente crescendo e competem pela mobilização dos mais descontentes.
A SEDES conclui que é justo salientar que os factores como a crise financeira internacional e a subida dos preços do petróleo ou dos produtos alimentares estão fora do Governo, o que obrigará a uma revisão em baixa das previsões do crescimento em Portugal.
Já o crescente pessimismo dos investidores e consumidores fizeram alterar as expectativas e aumentaram a conflitualidade laboral, o que, sublinha a SEDES, provocou alguma desorientação do Governo.