
Créditos: André Rolo (arquivo)
A freguesia do concelho de Pombal está há oito dias "sem condições mínimas de sobrevivência"
"Não temos luz, não temos água nos pontos principais, precisamos de pessoas especializadas para ajudar na recuperação dos telhados", apela na TSF a presidente desta junta de freguesia do concelho de Pombal. Isabel Costa explica que naquele local são necessárias plataformas elevatórias, máquinas e gruas, para ajudar na reconstrução, após a passagem da tempestade Kristin, que deixou muitas habitações destelhadas.
No entanto, a falta de eletricidade é a maior preocupação. "Não temos um único gerador público, não vejo aqui ninguém da E-Redes", critica.
"Se nós não pagamos a luz, cortam logo", lamenta. "As pessoas estão há oito dias sem luz e água, a minha preocupação é a saúde pública por causa das águas, isto é uma catástrofe", refere.
Na freguesia existe um lar de idosos que está a trabalhar com um gerador próprio, já envelhecido e que falha constantemente. "Este lar não tem um gerador público da E- Redes, é urgente, urgente", exclama a autarca. Com uma rede de telecomunicações ainda muito deficiente, "a maior parte desta população não sabe o que se passa".
"Não temos televisão, não temos nada", diz, acrescentando: "Não há eleições nesta freguesia, ninguém vota enquanto não tivermos condições mínimas de sobrevivência."
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do temporal. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.