Sindicato revela duas mortes por atrasos do INEM e caso de criança que esperou três horas

Gustavo Bom/Global Imagens (arquivo)
O presidente do sindicato revela à TSF que há "dezenas de ocorrências" em que o INEM não cumpriu os tempos estabelecidos
O presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) confirma o caso da morte de um homem em Abrantes que esteve 20 minutos à espera de assistência médica e revela que "também houve pelo menos mais um caso de uma paragem cardíaca, cuja resposta diferenciada chegou já tardiamente". Rui Lázaro acrescenta que há "dezenas de ocorrências" em que o INEM não cumpriu os tempos estabelecidos, nomeadamente a situação de uma criança que "esperou mais de três horas por meios de emergência".
"Efetivamente já conseguimos confirmar este caso de Abrantes, mas não só. De facto, ontem registaram-se bastantes atrasos face aos tempos que o senhor presidente do INEM definiu neste novo sistema de prioridades, entre eles esta morte de Abrantes, que lamentamos. Estes casos, mas também outros que, pelo que conseguimos apurar, várias dezenas de ocorrências em que o INEM não conseguiu cumprir estes tempos, vêm comprovar o insucesso desta medida", afirma Rui Lázaro em declarações à TSF.
O sindicalista pede que se repense e corrija a implementação do novo sistema de prioridades do INEM: "Quando o senhor presidente prometeu que, de facto, iria melhorar a assistência com estas novas prioridades, pois o que se comprova agora é que não está a resultar, pelo contrário. Estamos a ter conhecimentos de cada vez mais casos em que os tempos não são cumpridos e importa desde logo repensar a implementação desta medida e corrigir no imediato para que possamos, de facto, prestar um serviço melhor."
Rui Lázaro revela que "também houve pelo menos mais um caso de uma paragem cardíaca, cuja resposta diferenciada chegou já tardiamente", além de uma criança de oito anos que estava na escola e "esperou mais de três horas por meios de emergência, tendo existido pelo meio algumas chamadas a questionar a demora de meios".
O presidente do STEPH lamenta a demora e não ter conhecimento destes casos mais cedo: "Foi pena não termos tido o conhecimento mais cedo, porque estivemos reunidos com a senhora ministra da Saúde, mas intercederemos. Enviaremos uma nota à senhora ministra, mas também para os grupos partidários com assento parlamentar na Assembleia da República, para que se possa, de facto, de uma vez por todas implementar medidas, nomeadamente o caminho que tem sido traçado entre o Governo e o sindicato, e não à agenda que o senhor presidente do INEM aparentemente tem, que contraria não só os compromissos que o Governo já tinha assumido, mas também, e muitas vezes, as próprias recomendações da Comissão Técnica Independente, como conforme vimos recentemente na deliberação sobre a formação dos profissionais na área de emergência médica."
Um homem de 45 anos morreu na quinta-feira, em Abrantes, depois de esperar mais de 20 minutos pelos meios de socorro, que deveriam ter chegado ao local em oito minutos, segundo as prioridades definidas pelo INEM.
Segundo disse à Lusa fonte dos bombeiros de Abrantes, no distrito de Santarém, o caso ocorreu no exterior da estação de comboios e os bombeiros foram acionados pelas 07h34.
A fita do tempo, a que a Lusa teve acesso, refere uma ocorrência classificada como P1 (emergente) - com um tempo de chegada ao local definido pelo INEM de até oito minutos - de um homem em paragem cardíaca, pelas 07h29. A ambulância dos Bombeiros Voluntários de Abrantes e a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Médio Tejo foram enviados para o local.