Situação "continua complicada" em Montemor-o-Velho: autarca pede cautela nas deslocações

Créditos: Miguel A. Lopes/EPA
À TSF, José Veríssimo reforça o apelo para a continuidade da isenção das portagens, argumentando que "para as pessoas faz mais diferença" este valor financeiro do que para o Estado.
O autarca de Montemor-o-Velho pede cautela à população, alertando que a situação "continua complicada" com os caudais "ainda muito altos" e várias estradas cortadas.
"Para Montemor, ainda continua a haver uma situação complicada", sublinha, em declarações à TSF, o presidente da câmara, que expressa "preocupação" perante as águas que continuam a "chegar" ao concelho, depois do rebentamento do dique na margem direita do Mondego.
Ainda que reconheça que não existem previsões de que a água das cheias possa "provocar mais danos", vinca que os caudais continuam "muito altos". Além disso, várias estradas estão cortadas e em más condições (com buracos e cortes). E apela, por isso, à cautela nas deslocações realizadas.
"Eu peço para as pessoas terem o máximo de atenção e o máximo de cuidado nesta fase porque o problema não está ultrapassado", assinala.
José Veríssimo afirma que tem "pressionado" o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente para que as reparações do dique rompido possam ser iniciadas o quanto antes. Não é previsto que tal possa acontecer já esta segunda-feira, mas é expectável que, ao nível burocrático, os procedimentos possam ser agora "desbloqueados".
Adianta ainda que algumas dezenas de pessoas ainda não regressaram a casa. São, sobretudo, casos de residentes que ficaram alojados em casa de familiares, mas que se espera que possam voltar às suas habitações nos próximos dias.
O autarca reforça igualmente o apelo para a continuidade da isenção das portagens, argumentando que "para as pessoas faz mais diferença" este valor financeiro do que para o Estado.
"Não faz qualquer sentido [o fim da isenção das portagens], pelo menos em Montemor. Os outros municípios também terão essas dificuldades, mas Montemor é cruzado pela A14, pela A1, pela IC2, são tudo estradas, a 111, são tudo estradas que estão cortadas. Portanto, a autoestrada poderia ser uma forma de as pessoas se poderem deslocar melhor", esclarece.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo declarou situação de calamidade para 68 concelhos, que terminou no domingo, e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
