"Situação crítica e lamentável." Serviço de assistência médica junto à câmara de Leiria atende dezenas de feridos após temporal

Créditos: Pedro Correia
À TSF, a diretora do projeto Misericórdias da Saúde refere que os médicos atendem as pessoas através de uma videochamada "em tempo real"
Dezenas de pessoas foram atendidas no serviço de assistência médica montado junto à entrada da câmara de Leiria, numa iniciativa que partiu do projeto Misericórdias da Saúde. Os feridos ligeiros têm consultas gratuitas de telemedicina e, em declarações à TSF, a diretora do projeto, Luciene Rabelo, dá conta dos casos que têm aparecido.
"Pessoas que precisam de receitas para o uso de medicação contínua, pânico, ansiedades. Um senhor que magoou a perna e estava muito inflamada e precisava de antibiótico. Há vários cenários", conta à TSF Luciene Rabelo.
A responsável sublinha que as pessoas chegam "muito assustadas não só pela necessidade da saúde, mas pelo desespero de não terem as coisas em casa, de a comida que estava no frigorífico estar a estragar-se". "É uma situação muito crítica e lamentável", considera.
Luciene Rabelo pede que se divulgue o projeto na rádio, porque muitas pessoas não tinham até agora acesso à Internet. Trata-se de um serviço rápido e sem qualquer custo.
"Fazemos videochamada em tempo real com o médico. Os médicos conseguem atender as pessoas num prazo de meia hora, com prescrições médicas, com pedidos de exame, como se estivesse num hospital. Só não temos a parte física, por exemplo, se for pensos ou algo assim maior, mas, de resto, temos tudo", sublinha.
As consultas de telemedicina estão abertas até às 17h30. A Misericóridas da Saúde conta ficar na câmara de Leiria, pelo menos, até este domingo.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00h00 de quarta-feira até às 23h59 de dia 1 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.