
epa06630692 An exterior view of the Russian Embassy in the Hague, the Netherlands, 26 March 2018. The Netherlands announced that two Russian diplomats will be made persona non grata in a sign of solidarity with Britain, as a reaction to the poisoning of Russian former spy Sergei Skripal and his daughter Yulia in the British city Salisbury, 04 March 2018. Further reports state that Germany and France have joined 14 EU member States to expel Russian diplomats and the USA is to expel 60 from the Russian embassy in Washington and from the UN in New York. EPA/ROBIN VAN LONKHUIJSEN
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Portugal vai aguardar por eventuais informações adicionais no caso Skripal antes de o embaixador Paulo Vizeu Pinheiro regressar à Rússia.
O Governo mantém em Lisboa o embaixador português em Moscovo, após o ter chamado para "consultas" na sequência do 'caso Skripal', pelo menos até segunda-feira, quando o tema será debatido pelos chefes da diplomacia da União Europeia.
"A nossa posição tem sido sempre bastante alinhada com a posição da União Europeia", disse esta terça-feira à agência Lusa o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, falando por telefone no final de uma visita bilateral à Irlanda.
O Governo português chamou, a 27 de março, o embaixador português em Moscovo, Paulo Vizeu Pinheiro, na sequência do ataque com um gás neurotóxico ao ex-espião russo Serguei Skripal em Salisbury (Reino Unido), pelo qual Londres responsabilizou a Rússia.
Também a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, chamou o representante dos 28 em Moscovo, mas quase todos os países do bloco europeu -- à exceção de Portugal e outros cinco Estados - optaram por expulsar diplomatas russos.
"Não prevejo que o embaixador Paulo Vizeu Pinheiro regresse a Moscovo, pelo menos antes de segunda-feira, 16. Nesse dia o Conselho de Negócios Estrangeiros tem como um dos pontos da ordem de trabalhos a análise das relações com a Rússia e julgo que se nenhum elemento inesperado ocorrer nos dias que restam desta semana, é mais lógico que Portugal aguarde por eventuais informações adicionais que possamos todos ter na segunda-feira ou pela concertação de posições, antes de o nosso embaixador regressar a Moscovo", afirmou hoje Santos Silva.
O ministro dos Negócios Estrangeiros comentou que, entre os países europeus que também optaram por chamar os embaixadores, o Luxemburgo, Bulgária e Eslovénia já fizeram regressar os diplomatas aos seus postos na capital russa, enquanto os de Portugal, Malta e Eslováquia se mantêm nas respetivas capitais.
O envenenamento do ex-espião duplo e da sua filha, em solo britânico, provocou uma das piores crises nas relações entre a Rússia e o ocidente desde a guerra fria e conduziu a uma vaga histórica de expulsões recíprocas de diplomatas.
Londres acusa Moscovo de envolvimento neste envenenamento através da utilização de um agente neurotóxico, enquanto a Rússia desmente as acusações e denuncia uma "provocação" e uma "campanha antirrussa".