O ex-ministro socialista considerou que o texto de Cavaco Silva sobre a crise política de 2011 «é totalmente inoportuno» e «relativamente injusto», sublinhando que neste momento o país precisa de um «grande esforço de coesão nacional».
O ministro dos Negócios Estrangeiros de José Sócrates, questionado hoje em Lisboa sobre o prefácio escrito pelo Presidente da República à edição das suas principais intervenções públicas no último ano, começou por sublinhar que não leu o texto.
«Direi apenas que é inoportuno, do meu ponto vista, porque o país precisa de estar mobilizado para outros problemas, para difíceis situações como aquelas que afetam hoje o dia a dia da atividade das empresas, da economia e também das família», afirmou a seguir Luís Amado, à margem do primeiro encontro "Triângulo estratégico: Améria - Europa- África", que decorreu à porta fechada.
«É preciso um grande esforço de coesão nacional. Nós precisamos de um amplo consenso nacional para poder sustentar o processo difícil de ajustamento que o país tem de fazer para preservar a sua posição no projeto europeu, num momento em que a Europa vai mudar muito rapidamente de configuração», acrescentou.
Para o anterior ministro dos Negócios Estrangeiros, «nessa perspetiva», é «totalmente inoportuno abrir processos de conflitualidade no sistema político português».
O antigo chefe da diplomacia portuguesa considerou ainda que os chefes políticos e os órgãos de soberania devem centrar-se naquilo que, de facto, é essencial: o combate à crise económica.