"Totalmente injustificado e inaceitável." Médicos admitem greve contra preço do estacionamento no Hospital de Braga

Créditos: Reinaldo Rodrigues (arquivo)
Em declarações à TSF, a vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), Joana Bordalo e Sá, refere que este é o segundo aumento em dois anos
O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) exigiu na terça-feira a "reversão imediata" do aumento das tarifas do parque de estacionamento do Hospital de Braga em vigor desde 01 de fevereiro, ameaçando avançar com uma greve caso tal não acontecer.
A vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), Joana Bordalo e Sá, exige a reversão imediata da medida, que considera inaceitável.
"Este aumento das tarifas de processamento de do hospital de Braga é totalmente injustificado e inaceitável. Estamos a falar de um hospital público, onde os profissionais vão passar a pagar 612 euros por ano apenas para poder estacionar e ir trabalhar. E a verdade é que ali não existe uma alternativa de estacionamento, não há uma rede de transportes que responda às necessidades de quem ali trabalha e isto não é um detalhe, isto é uma penalização diária para quem assegura cuidados de saúde à população. O que nós entendemos é que um parque de estacionamento num hospital público deve servir hospital, deve servir quem lá trabalha e quem é tratado e não pode estar a funcionar como um centro de arrecadação de receitas", explica à TSF Joana Bordalo e Sá, recordando que este é o segundo aumento em dois anos.
Se a medida não for revertida, garante, os médicos avançam para a greve.
"O que é ainda mais grave é que 25% das receitas do parque de estacionamento, que é explorado por uma empresa privada, vão para a ACSS. E se não houver reversão imediata deste aumento, porque este é o segundo ano em que há aumentos, avançaremos com uma greve na ULS de Braga, porque há limites para aquilo que os profissionais podem continuar a suportar", sublinha.
O Hospital de Braga foi construído ao abrigo de uma parceria público-privada (PPP), que terminou em 2019.
A partir daí, o hospital ficou com uma gestão pública, mas as instalações e o estacionamento continuam a cargo do parceiro privado.
A gestão do estacionamento é assegurada, em regime de prestação de serviços, pela Saba Portugal.
O SMN já fez seguir uma queixa para a Provedoria de Justiça e garante que vai avançar com uma greve se o aumento se mantiver.
Além do aumento, denuncia uma "prática discriminatória e intolerável", apontando que os membros da administração e da direção do Hospital "beneficiam de isenção total de
pagamento, enquanto os profissionais que asseguram a prestação direta de cuidados de saúde são sobrecarregados com tarifas que ascendem a valores superiores aos praticados em vários outros hospitais integrados no Serviço Nacional de Saúde".
Lembra que no Hospital de Braga não há alternativa de estacionamento e que a rede de transportes públicos não é, "nem de perto, nem de longe", eficaz.
"O parque de estacionamento do Hospital de Braga existe para servir um hospital público, quem lá trabalha e quem lá é tratado, e não para gerar lucro. Não pode continuar a funcionar como um negócio privado à custa de profissionais e utentes", defende o sindicato.
A Lusa contactou a Saba Portugal e a ACSS, mas ainda não obteve qualquer comentário.
