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No dia das mentiras, que se assinala esta terça-feira, dia 1 de Abril, o projeto "Pinóquio na Escola" foi até Faro, para tentar sensibilizar os alunos do ensino secundário para a desinformação, reforçando o seu pensamento crítico e incentivando um consumo mais responsável da informação que consomem
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Depois de terminada a sessão no Instituto da Juventude e Desporto de Faro, Mateus — aluno do 10ª ano com 16 anos —, admite que faz parte de uma geração não lê jornais, pouco vê televisão ou ouve rádio. É nas redes sociais onde buscar a informação.
"Hoje em dia a nossa juventude tem um certo desfalque para discernir o que é verdadeiro ou não", afirma o jovem, garantindo que, no seu caso, consegue perceber o que são informações falsas ou verdadeiras, porque "tem uma visão mais realista da sociedade".
É por situações como esta que o Pinóquio foi até Faro, no Algarve.
"Na abertura da sessão fizemos um pequeno quizz, quase a brincar, para perceber as tendências de informação e, infelizmente, de desinformação", conta Filipe Pardal, jornalista do Jornal digital Polígrafo.
A maioria dos jovens disse já ter acreditado numa informação que verificaram mais tarde ser falsa, e que não vêem ou ouvem os media tradicionais: jornais, televisão ou rádio. Para eles, também é difícil discernir entre o que é o trabalho de um jornalista e o de um influencer, ou o que é informação e entretenimento, acrescenta Filipe Pardal.
Durante a sessão, os promotores ensinam aos estudantes algumas ferramentas para conseguirem identificar notícias ou imagens falsas que lhes possam chegar. A estratégia parece ter resultados positivos, pelo menos para Mateus, que garante já ter aprendido alguma coisa e conseguido desmontar o que ainda há pouco tempo viu nas redes sociais.
Por exemplo, o terramoto que houve há poucos dias, foram retiradas imagens de outros terramotos, de anos anteriores e bem mais chocantes.
O projeto "Pinóquio na Escola" envolve a Fundação Calouste Gulbenkian, que abriu até 30 de maio um concurso nacional que desafia os estudantes do ensino secundário a criar conteúdos originais para desmontar narrativas enganosas que circulam — ou circularam — no espaço público europeu.
Miguel Casquinho, da Gulbenkian, sublinha que começaram no ano de 2024 uma iniciativa com o jornal Polígrafo e decidiram continuar com este projeto, que vai continuar a percorrer escolas de todas as regiões do país.
A iniciativa conta ainda com o apoio organizacional e logístico da Representação da Comissão Europeia em Portugal, do Gabinete do Parlamento Europeu em Portugal e da Agência Nacional Erasmus+ Juventude / Desporto e Corpo Europeu de Solidariedade.