Unidade no PSD? "É preciso outros quererem também. Não consigo fazer milagres"

José Carmo/Global Imagens
Para Rui Rio não há dúvidas. Os militantes do PSD votaram pela sua manutenção na presidência do PSD porque preferem a estabilidade. A vitória do líder que se mantém no cargo ficou assegurada com pouco mais de 53% dos votos.
"Houve um momento para as diferenças, agora é o momento de unidade." Com esta frase Rui Rio tenta virar a página da sua liderança no PSD. O líder, que foi reeleito na segunda volta das eleições internas, quer seguir em frente com o partido pacificado.
No discurso de vitória, na mesma sala, no mesmo hotel de sempre, Rio falou para os militantes e apoiantes que ocuparam todas as 200 cadeiras e para os muitos que ficaram de pé. Cheirava a vitória por todos os lados. Ainda não havia confirmação oficial, mas já havia gente na sala a marcar lugar, sorrisos, abraços e "v" de vitória.
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Rio falou para os militantes que ali estavam e para os que não estavam nem ali, nem com ele na corrida à liderança do PSD.
"Vamos ouvindo que o PSD está todo partido, mas porquê? Porque uns votaram num e outros votaram noutro. Coisa mais normal não há. Hoje os militantes do PSD votaram pela estabilidade, ao escolherem a actual liderança. Eu espero que a partir de hoje possamos trabalhar no PSD com estabilidade e com lealdade."
"Para mim cabem todos cá dentro, desde que estejam com seriedade e lealdade. O nosso adversário número comum é o PS e é a geringonça. Não é, naturalmente, o PSD."
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Recado dado, Rio voltou a frisar que "não deu nada em troca" a quem votou nele, nem "prometeu nada a ninguém". Por isso, avisa que "vamos decidir como devemos decidir, porque eu não devo nada a ninguém".
Antes, ao longo de dez minutos, Rio desfiou uma longa lista de mensagens e agradecimentos, incluindo aos apoiantes mais próximos, como o director de campanha, Salvador Malheiro, às estruturas do partido e aos adversários.
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Relembrando os principais objectivos que tem para o PSD, Rio sublinhou uma maior abertura à sociedade. Para isso, o partido tem de ser mais atraente e mais activo. "Para que as pessoas normais, o portugueses que andam na sua vida, possam encontrar aqui dentro motivos para militar, de forma a discutir e debaterem as suas ideias, e não virem para aqui andar a ver, às vezes, lutas de galos e pintainhos em torno de lugares. Não é para isso que serve um partido. Não pode ser só lugares."
A noite acabou com uma promessa. Trabalho. Mas, avisa Rio "de forma politicamente incorrecta, só para a semana. Amanhã vou descansar. Quero com o PSD começar a ganhar o país".