
Gerardo Santos/Global Imagens
Mal chegou à Direção-Geral da Saúde, em meados dos anos 90, Graça Freitas assumiu a coordenação do Programa Nacional de Vacinação. Num caminho que leva já algumas décadas, a atual diretora-geral recorda, em entrevista à TSF, vitórias, como a erradicação da varíola, e aponta desafios, como travar as doenças causadas pelo vírus do papiloma humano, precursoras do cancro do colo do útero.
Apaixonada pela área da Saúde Pública, Graça Freitas não esconde o fascínio pelas vacinas e pelo Programa Nacional de Vacinação (PNV): "Porque me dediquei durante muito tempo e continuo profundamente envolvida, é mesmo a menina dos meus olhos."
E há uma razão muito concreta para isso: "Das medidas de saúde pública, depois da água potável, é aquela em que se vê mais resultados."
O ato de não vacinar não é neutro; não vacinar é deixar alguém desprotegido.
A "menina dos olhos" de Graça Freitas nasceu em 1965 e tem hoje 55 anos. "Caiu-lhe no colo" mal chegou à DGS, nos idos de 90, mas foi pela sua mão que se tornou "adulta". Uma das principais mudanças foi a criação da Comissão Técnica de Vacinação. A então coordenadora do PNV sentiu necessidade de se rodear "dos melhores entre os melhores. De várias profissões: da medicina, da farmácia, da enfermagem, da imunologia, da virologia". Era preciso colocar a Ciência no topo de tudo: "Tinha que ter bons dados da Ciência, perceber bem a dinâmica das doenças, saber bastante de vacinas."
Em mais de cinco décadas de vida, o número de vacinas no PNV cresceu e o Programa acumulou vitórias, medidas pelas doenças que deixaram de existir É o caso da varíola, eliminada em 1980. Graça Freitas sublinha que Portugal foi um dos países que contribuiu para a erradicação desta doença em todo o planeta.
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Há também o caso da poliomielite, cujo último caso com origem em Portugal foi detetado em 1986. "Até hoje, não voltámos a ter paralisia infantil gerada no nosso país", sublinha a diretora-geral da Saúde.
São sucessos que ficam, e que fazem crescer a responsabilidade perante desafios futuros. O maior de todos, aponta Graça Freitas, é, "pelo menos, reduzir à ínfima espécie", as doenças causadas pelo vírus do papiloma humano, precursoras do cancro do colo do útero.
Graça Freitas sempre defendeu que as vacinas não devem ser obrigatórias e não vê motivos para mudar de ideias, já que considera que o principal papel dos profissionais de saúde é esclarecer todas as dúvidas que ainda possam subsistir sobre a importância da vacinação.
"Pode haver hesitação em vacinar, má informação, mitos, medos. O nosso papel é esclarecer, de forma clara, honesta, transparente e inequívoca, as pessoas". Por uma razão fundamental, defende: "O ato de não vacinar não é neutro; não vacinar é deixar alguém desprotegido."