Vereador em Baião, emigrante em Inglaterra, renuncia ao mandato e abandona PSD
Luís Sousa, o vereador social-democrata na Câmara de Baião emigrado em Inglaterra e que pretendia pedir o pagamento das despesas de deslocações, anunciou hoje que vai renunciar ao cargo e abandonar o PSD.
«Informo que será enviado à Câmara Municipal de Baião o meu pedido de renúncia ao mandato de vereador ainda esta semana, para que o executivo municipal possa funcionar normalmente, com as diferentes forças políticas», lê-se num esclarecimento enviado à agência Lusa.
No documento, o vereador explica também que a decisão de abandonar a militância no PSD se destina a libertar o seu «partido de sempre, de qualquer ónus» com a sua «participação ativa».
Na sexta-feira, o presidente da Câmara de Baião, o socialista José Luís Carneiro, confirmou à Lusa que Luís Sousa, o único vereador do PSD naquela autarquia do distrito do Porto, que recentemente emigrara para Inglaterra, tinha informado o município que iria pedir à edilidade o pagamento das despesas efetuadas nas deslocações a Baião. O vereador invocara o estatuto de eleito local para considerar ter direito ao reembolso dos encargos com as viagens, quando se deslocasse a Baião para participar nas reuniões do executivo.
No esclarecimento enviado hoje à Lusa, o vereador sustentou que não foi apresentado à câmara qualquer pedido de pagamento das deslocações de Inglaterra para Portugal.
Observou, porém, ter ficado «claro que esse pedido, a ter acontecido, tinha suporte legal, ao abrigo do Estatuto dos Eleitos Locais».
Para Luís Sousa, «fica ainda claro que os partidos políticos não têm capacidade e firmeza suficientes para assumirem claramente perante uma circunstância desta natureza que a lei está acima das leituras que cada um faz individualmente e por isso deve ser cumprida sem preconceitos».
Ao longo da semana passada, a Lusa tentou, sem sucesso, insistentemente, o contacto telefónico com o vereador. Por escrito, via correio eletrónico, o autarca do PSD informou no dia 19 que, até àquela data, ainda não tinham sido pagas pela câmara quaisquer despesas de deslocação.
«A minha residência oficial é em Inglaterra», confirmou o vereador, informando que está naquele país desde janeiro, mas que se deslocou a Portugal, de 12 a 18 de fevereiro, para cumprir com «as obrigações de autarca eleito».