"Orgulhosamente LGBT." Pedro Penim assume a "sorte" que tem por liderar Teatro Nacional D. Maria II

Pedro Penim está pronto para ser o novo diretor do Teatro Nacional Dona Maria II, prometendo um mandato de grande pluralidade e assumindo que o facto de nunca ter dirigido uma casa desta envergadura não o intimida.

Orgulhosamente LGBT, cheio de vontade que comece. O novo diretor do Teatro Nacional Dona Maria II promete um mandato de grande pluralidade

"É um exercício poderosíssimo estar o mais próximo possível do estado da utopia, e este é um lugar de poder". Pedro Penim assume as novas funções no mês de novembro.

Aos 45 anos, assume que o facto de nunca ter dirigido uma casa desta envergadura não o intimida. "Aceitei esta nomeação sabendo que muitas vezes estou sempre à procura de espaços de desconforto, não tenho a experiência de dirigir uma casa desta envergadura, mas aceitei com muita confiança." Pedro Penim, fundador do Teatro Praga, está feliz com o novo desafio e ansioso para deitar mãos à obra. "Chego aqui como artista, como alguém que começou aqui como estagiário, e que voltou muitas vezes como espetador, mas também como artista, e onde fui sempre muito feliz. Acredito que posso fazer o melhor trabalho possível."

"Orgulhosamente LGBT"

Na breve intervenção, após a apresentação da nova temporada, ainda da responsabilidade artística de Tiago Rodrigues, deixou claro ao que vem.

"Estou a assumir um cargo político, e essa responsabilidade sobrepõe-se aos meus gostos, às minhas vontades mais imediatas, às minhas inquietações pessoais, não quero programar para aqueles que comigo partilham afinidades eletivas. Quero uma programação transgeracional e transestética".

A promessa de um mandato de grande pluralidade e não de sectarismo ficou vincada, não sem antes assumir um lado mais pessoal que justificou com estas palavras.

"Chego aqui como alguém que faz orgulhosamente parte da comunidade LGBT, e que aprendeu a fazer disso uma força, e na verdade é o que é, uma força, e eu falo deste lado da minha identidade, não para me defender ou para marcar algum ponto, mas porque acredito que é nesse setor da sociedade, que é o meu, que se encontram linhas de pensamento e vetores de ação que neste momento me parecem os mais relevantes e os mais inspiradores, quando imaginamos cenários futuros para a sociedade e para o tecido artístico. Programar é também esse exercício de estar o mais próximo possível da utopia, em nome de avanços sociais e de uma sociedade mais justa e mais igualitária. Um exercício poderosíssimo, e para este lugar, que é um lugar de poder, é um exercício incrível ter a possibilidade de o pôr em prática."

Ainda é cedo para falar de projetos, mas Pedro Penim vai espalhando entusiasmo: "A cena nacional portuguesa é muito fervilhante e o Teatro Nacional deve ser uma casa à imagem dessa diversidade, que faz inveja a muitos países, até com maior investimento cultural", e os efeitos da pandemia no setor da cultura não ficaram esquecidos. "Assumo também uma responsabilidade pessoal para com os artistas de teatro que nesta pandemia vivem os piores anos da sua crónica precariedade, e cabe ao TNDM ser um agente primordial para atenuar estas consequências devastadoras."

Por último, a inspiração de suceder a Tiago Rodrigues: "Este teatro é uma casa de futuro, mas é também uma casa da memória, a sorte que eu tenho de receber do Tiago este legado, revolucionário e inspirador, vou absolutamente respeitar todo este legado, mas, claro, vou também querer fazer diferente, e estou cheio de vontade que comece, que chegue novembro. Estou pronto para ser o anfitrião desta casa."

A passagem de testemunho está feita.

Tiago Rodrigues não podia estar mais feliz por entregar a chave da direção artística do TNDM a Pedro Penim e o novo diretor agradece o trabalho "revolucionário" que acaba de herdar. Não foram meras palavras de circunstância, as que se ouviram. Da última récita ao primeiro ato, o espetáculo continua.

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