Forças Armadas Angolanas. Da origem à importância pela primeira vez num livro

Militar e académico, doutorado em Relações Internacionais, Luís Brás Bernardino, é o autor do primeiro grande estudo sobre as Forças Armadas Angolanas.

O livro, As Forças Armadas Angolanas: Contributos para a Edificação do Estado, com edição da Mercado de Letras, é apresentado esta tarde, às 18 horas na UCCLA, União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa em Lisboa. Antes da apresentação, o autor conversou com a TSF.

"Há uma simbiose muito grande entre a formação militar e a formação do estado. Esta ideia de que os líderes militares são líderes políticos resulta do processo de independência de Angola" diz o investigador à TSF.

Tendo o conceito para a criação das Forças Armadas Angolanas sido apresentado às partes em negociação dos Acordos de Bicesse em maio de 1991, Bernardino destaca o papel importante de Portugal e, em concreto, do General Tomé Pinto. A componente política fez descarrilar o processo com a não aceitação dos resultados eleitorais por parte da UNITA de Jonas Savimbi, o país teve mais guerra até 2002 e a reestruturação das forças armadas em Angola só é retomado após a morte do líder da oposição e guerrilha.

O livro, com base num acesso raro a fontes originais e mais de setecentas páginas, não ignora o papel regional de Angola nos tempos atuais: "Angola é uma potência regional em ascensão e as forças armadas contribuem para esse desiderato. Ou seja, as próprias Forças Armadas de Angola têm tido um papel cada vez mais relevante na criação das condições para aquilo que designamos de arquitetura de paz e segurança africana. Angola tem tido um papel fundamental na criação dessas capacidades".

Angola é vista como exemplo para a estabilização da situação na região dos Grandes Lagos: "Angola participa nos exercícios regionais e a sua participação tem sido bem vista".

À afirmação das forças angolanas como potência regional, falta - admite o investigador - "a participação numa missão de paz das Nações Unidas, o que nunca aconteceu e seria um vetor fundamental da política externa de Angola, uma marca para as próprias forças armadas e poderá acontecer nos próximos anos, sem qualquer problema".

Outra aposta prioritária, na opinião do autor, é a segurança marítima (ainda "uma debilidade das Forças Armadas de Angola") , a segurança das fronteiras e a cooperação regional. Num país onde "a segurança do estado" continua a ser um vetor fundamental, o investigador português entende que "a questão de Cabinda é uma questão importante para Angola e a presença das forças armadas em Cabinda "sempre foi e é uma presença constante e bastante forte".

Doutorado em Relações Internacionais pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade Técnica de Lisboa, Luís Brás Bernardino é investigador do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa e tenente-coronel do exército atualmente colocado ao serviço da NATO na Joint Force Command Brunssum, na Holanda. O livro foi apresentado esta segunda-feira na sede da UCCLA, União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, em Lisboa.

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