Um livro de poesia escrita para ser ouvida

Numa entrevista à TSF, a poeta raquellima explica como é escrever poesia para ser dita em público. O livro, está acompanhado pela gravação de alguns dos poemas.

A edição de "Ingenuidade Inocência Ignorância" de raquellima, pela BOCA e pela Animal Sentimental, vem preencher um espaço que tem estado muito desocupado no plano editorial, em Portugal.

São ainda poucos, os audiolivros disponíveis, e quase inexistentes, os que tratam da poesia.

Ou melhor, sempre houve discos de poesia dita, ou pelos próprios autores, ou declamadores conceituados.

Miguel Torga e David Mourão Ferreira, do lado dos autores, e João Villaret, do lado dos declamadores, são exemplos dessa tradição.
Com raquellima, estamos noutro território.

A poeta explica na TSF que, quando escreve um poema, está a pensar na forma como o vai dizer em público. Ou seja, "no lado performativo".

Nesse sentido, a autora confessa que o livro e o audiolivro, são o resultado de muito trabalho de poetry slam, spokenword, narração oral, e outras correntes do que chama "oratura".

No livro, Raquellima fala de ambiguidades e contradições humanas. E descreve-se pela poesia: em "Planeta África", escreve "Sou afrodescendente, afrodisíaca, afrodiaspórica, afroconsciente, afrofuturista, afroresiliente, afro não-condescendente,(...) gostaria que África não fosse um prefixo, mas um planeta, em vez de um continente".

A propósito do título pelo qual responde, "poeta" ganha a "poetisa", porque "a palavra poeta para o feminino não está gramaticalmente incorreta. A distinção que a palavra poetisa traz, parece-me desnecessária" esclarece raquellima.

Na conversa com a TSF diz que os poemas não estão organizados cronologicamente, no livro, e que o audiolivro, reflete muito do trabalho que tem feito em leituras e saraus.

A música tem aparecido, quando faz sentido, em algumas apresentações. E fez sentido, na gravação do audiolivro, incluir a música de Yaw Tembe.

"Ingenuidade Inocência Ignorância" junta, na versão escrita, 23 poemas e um lamento poético ("não tenho mais poemas"), escritos entre 2009 e 2019, e 11 poemas, alguns musicados, no audiolivro.

Está incluído na coleção Boca de Incêndio, e é uma edição Animal Sentimental e BOCA..

Na conversa com a TSF, podemos ouvir as interpretações de "Liberdade mais cruel", musicada por Yaw Tembe, e de "Cafuné".

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