Vítor Aguiar e Silva é o vencedor do Prémio Camões 2020

Prémio Camões de literatura em língua portuguesa foi instituído por Portugal e pelo Brasil em 1988.

O professor e ensaísta Vítor Manuel de Aguiar e Silva é o vencedor do Prémio Camões 2020, anunciado esta terça-feira pela ministra da Cultura, após reunião do júri.

O Prémio Camões de literatura em língua portuguesa foi instituído por Portugal e pelo Brasil em 1988, com o objetivo de distinguir um autor "cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento do património literário e cultural da língua comum".

Foi atribuído pela primeira vez, em 1989, ao escritor Miguel Torga. Em 2019 o prémio distinguiu o músico e escritor brasileiro Chico Buarque, autor de "Leite Derramado" e "Budapeste", entre outras obras.

A ministra da Cultura, Graça Fonseca, destaca as "qualidades intelectuais e académicas e o perfil humanista" de Vítor Aguiar e Silva.

A obra do autor, avalia a ministra, "revela o apurado sentido crítico e um sempre renovado olhar de leitor".

"O coroamento"

Ao longo da carreira Vítor Aguiar e Silva tem recebido vários prémios: Prémio Vergílio Ferreira, o Prémio Vida Literária, o D. Dinis ou o Grande Prémio de Ensaio, entre outros. O galardoado nesta edição do Prémio Camões diz que este é o corolário de toda a carreira.

"Creio que recebi todos os prémios que tinha de receber, mas o prémio Camões é o de coroamento de uma vida universitária como investigador da língua e da literatura portuguesas", resume o vencedor do prémio.

Entre os vários livros com autoria de Vítor Aguiar e Silva, o júri do Prémio Camões destaca "A Teoria da Literatura", alvo de "sucessivas reformulações", como destaca em comunicado. À TSF, o galardoado da edição deste ano deixa o aviso que ainda não deixou de rever essa obra.

"Na teoria da literatura foram surgidos novas correntes, novos problemas, novas questões e eu quero dar, nesta que espero que seja a última edição, o estado da arte, o estado em que se encontra hoje a disciplina denominada de Teoria da Literatura." Datas? "Talvez daqui a um ano, se tiver vida para isso, um ano e meio."

Desde sempre crítico do novo acordo ortográfico, Vítor Aguiar e Silva não esconde que uma das suas grandes desilusões foi a edição da obra "Dicionário de Luís de Camões" numa ortografia, e sob regras, com as quais nunca concordou. Quando soube da decisão da editora, ferveu.

"Fiquei, digamos, zangado com a decisão da editora. O chamado Novo Acordo Ortográfico, em meu entender, tem algumas soluções que são aberrativas para os portugueses e para os brasileiros", nota o autar. No Brasil, que aponta como "a grande potência da língua portuguesa no século XXI, que já é desde o século XX", algumas das soluções do novo acordo "não foram bem recebidas", conta o vencedor do Prémio Camões.

O vencedor da edição de 2019 do Prémio Camões foi o brasileiro Chico Buarque.

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