Trabalhadores consulares pagos em moeda local em greve porque "começam a receber menos"

O secretário-geral adjunto do STCDE diz à TSF que a greve deve começar no dia 5 de setembro, mas não tem data de fim.

O Sindicato dos Trabalhadores Consulares, das Missões Diplomáticas e dos Serviços Centrais do Ministério dos Negócios Estrangeiros (STCDE) considera que se esgotaram as hipóteses de conversações com o Governo e vai avançar para a greve.

O pré-aviso ainda não foi entregue, mas o secretário-geral adjunto do sindicato, Alexandre Lopes Vieira, prevê que a greve se inicie a 5 de setembro, não tendo data para terminar. A data não é inocente, visto que o Presidente da República estará presente na comemoração do bicentenário da independência do Brasil, onde os funcionários locais pretendem fazer manifestações.

Entre as revindicações do STCDE está o mecanismo pelo qual os funcionários consulares por todo o mundo são pagos.

"Os funcionários são pagos em moeda local, logo quando o euro está abaixo dessas moedas, as pessoas começam a receber menos. Imagine que tem um vencimento de mil euros e, de um momento para o outro, porque o câmbio está superior àquele que é a sua moeda de pagamento, começa a receber 900, 800, 700. É o que está a acontecer presentemente. Isso foi negociado. É o novo mecanismo de perdas acumuladas. Foi negociado com o anterior ministro dos Negócios Estrangeiros, está nas Finanças já faz um ano e meio ou dois anos. Isso é um ponto. E sei que está no gabinete do senhor ministro das Finanças", explica à TSF Alexandre Lopes Vieira.

Contudo, no Brasil o mecanismo é diferente e o secretário-geral adjunto do sindicato diz que é um "apartheid": "A questão do Brasil, que também já está negociada, onde os funcionários há nove anos, no tempo do Governo de Paulo Portas, foram - é um apartheid, do meu ponto de vista - os únicos que ficaram com uma tabela fixada em reais, porque a moeda de pagamento de Portugal é o euro e os únicos que ficaram com uma moeda diferente de todos os outros foram os brasileiros e, neste caso, os portugueses que estão a trabalhar nos postos consulares no Brasil."

Isso significa que atualmente "estejam a aplicar um câmbio de 2.60, quando devia estar 5", o que quer dizer que os funcionários estejam "a empobrecer todos os meses".

Alexandre Lopes Vieira queixa-se da falta de respostas, lembrando que há cinco meses que esperam que o governo tome medidas. De resto, há uma reunião pedida ao ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, que desde que tomou posse não deu resposta.

O sindicalista revela que além da questão salarial, as representações diplomáticas estão sem funcionários suficientes.

"Já chega, porque nós já demos todas as hipóteses. Todas as pontes foram feitas no sentido de resolver as coisas. Nós somos um sindicato conciliador, de pontes, e não de guerras e evitámos o ponto final que é uma greve. Quando há uma greve é porque houve um falhanço quer sindical, quer governamental. Mas não conseguimos essa ponte", esclarece.

E prossegue: "Presentemente, os postos consulares, embaixadas e missões de Portugal no estrangeiro estão muito mal. A situação é muito grave, porque tenho as informações todos os dias aqui e sei o que se está a passar em todas as missões de Portugal no estrangeiro que não é aquilo que deveria ser num estado democrático."

O pré-aviso de greve será feito até sexta-feira e a greve deverá começar no dia 5 de setembro, não se sabendo quando termina.

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