Incumprimento das empresas e preço das casas são riscos para a economia

O Banco de Portugal alerta que o aumento da inflação pode prolongar-se com a guerra na Ucrânia.

De entre os seis riscos que o Banco de Portugal coloca como prejudiciais para a economia portuguesa, no Relatório de Estabilidade Financeira de junho, saltam à vista o possível incumprimento das empresas, dada a inflação, e a descida do preço das casas.

O governador Mário Centeno garante que, para já, não está em causa uma subida do incumprimento do crédito à habitação, já que "essas questões estão relacionadas com o mercado de trabalho".

"O mercado de trabalho em Portugal tem demonstrado uma grande resiliência", apontou, lembrando que a taxa de desemprego, mesmo durante a pandemia, nunca atingiu valores como na anterior crise.

O antigo ministro das Finanças, que saiu diretamente para o cargo que ocupa no Banco de Portugal, deixa, no entanto, alguns conselhos ao Governo, "que não deve adotar a mesma postura do passado", referindo-se ao Governo de Passos Coelho, durante a crise de 2011.

"Temos de perceber que nas decisões que temos de tomar hoje, não estamos a correr uma corrida de cem metros, nem temos vento favorável. Estamos a correr com um vento que vem contra nós, não tem origem na nossa economia, mas temos de nos adaptar", acrescentou.

De acordo com o relatório, o "aumento da probabilidade de incumprimento das empresas", reflete-se pelo conjunto da vulnerabilidade financeira de algumas empresas, da recuperação incompleta da atividade e da rendibilidade de alguns setores no pós-pandemia, bem como o enquadramento macroeconómico e financeiro atual".

Relativamente ao aumento das taxas de juro, nos próximos anos, tal deverá traduzir-se numa "melhoria da margem financeira dos bancos e num aumento do reconhecimento de imparidades e de perdas potenciais decorrentes da desvalorização dos títulos de dívida a justo valor".

O regulador refere que os indicadores dão um maior ênfase ao Plano de Recuperação e Resiliência, pedindo uma "utilização eficiente dos fundos" de Bruxelas. Mário Centeno acrescenta que, além dos alertas, "estamos disponíveis para colaborar ".

Notícia atualizada às 13h35

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