Fim de exportações de fertilizantes vai aumentar "de imediato" preço dos alimentos

Presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal revela que há alternativas, mas não há como evitar o aumento dos preços.

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal confirma que o fim das exportações de fertilizantes pela Rússia vai fazer aumentar o preço dos alimentos. Eduardo Oliveira e Sousa fala numa má notícia porque o país de Putin é um dos principais produtores.

"A Rússia é o principal fornecedor mundial de fabrico de adubos de potássio, um dos três principais nutrientes para as plantas. Os outros dois são o fósforo, em que a Rússia contribui com talvez 20 e tal por cento da produção mundial, e o primeiro de todos, o mais importante, é o azoto, para o fabrico, por exemplo, do sulfato de amónio ou das soluções azotadas que são a principal fonte de energia para as plantas e que lhe permite fazer a síntese da luz e dar origem à clorofila, que dá a cor verde às plantas. Esses três macronutrientes têm uma dependência muito grande da Rússia. É evidente que a suspensão dessas matérias-primas para o fabrico de fertilizantes é uma má notícia", explicou à TSF Eduardo Oliveira e Costa.

O responsável pela CAP revela que há alternativas, mas não há como evitar o aumento dos preços.

"Há outras origens que podem, obviamente, ser alternativas, mas também estão longe e vão ter de ser destinadas a todo o universo produtivo. Por isso é verdade que vai haver um aumento dos custos de produção, além dos agravamentos que já tivemos este ano, em que, ainda antes da guerra, os adubos já estavam 100% mais caros do que no ano passado devido à crise energética. Uma crise de energia em cima de uma crise de abastecimento de matérias-primas vai dar origem a uma situação muito complexa, diminuindo capacidade produtiva e aumentando os custos de produção. O aumento do preço dos alimentos vai ser imediato", garantiu o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal.

Eduardo Oliveira e Sousa defende que, para fazer frente a este problema, a União Europeia vai ter de trabalhar em conjunto.

"Vai haver necessidade permanente de negociações que têm de envolver as estruturas comunitárias. A União Europeia vai ter de desencadear todo este esforço negocial em conjunto para criar blocos com força porque nós, individualmente, não temos condições para competir com o resto do mundo. A União Europeia vai ter de trabalhar em conjunto", acrescentou.

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou pelo menos 516 mortos e mais de 900 feridos entre a população civil e provocou a fuga de mais de 2,1 milhões de pessoas para os países vizinhos, segundo os mais recentes dados da ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas a Moscovo.

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