"Dia lamentável e trágico." Autarca de Castelo Branco procura soluções para trabalhadores da Dielmar

A autarquia quer reunir com o Governo para perceber se ainda há luz ao fundo do túnel para a empresa, que emprega 300 trabalhadores.

O presidente da Câmara de Castelo Branco admite que é um dia trágico para o concelho, com a confirmação do pedido de insolvência da Dielmar, conhecida marca de vestuário masculino. A Dielmar entregou um pedido de insolvência na sexta-feira, que foi aceite pelo tribunal, dado os atrasos no pagamento a fornecedores.

O autarca José Alves admite que conhecia a situação há vários meses, mas não foi possível revertê-la. Os problemas financeiros eram conhecidos, mesmo antes da crise provocada pela Covid-19, que agravou os problemas na empresa.

"É um dia lamentável e trágico para Alcains, para Castelo Branco e mesmo para o país inteiro. A marca Dielmar é uma referência nacional e internacional. Declarou o estado de insolvência face aos problemas económicos que a câmara municipal tem vindo a acompanhar. Reunimos com a administração da empresa, e foi-nos dito que iam colocar um pedido de insolvência", lamenta, em declarações à TSF.

A autarquia já tentou reunir com o Ministério da Economia, mas, por motivos de agenda, as reuniões foram sucessivamente adiadas. José Alves reforçou o pedido durante o fim de semana, para tentar perceber, junto do Governo, se ainda há luz ao fundo do túnel para a empresa.

"Pedimos uma reunião com o ministro da Economia, foram feitos vários contactos com os secretários de Estado, e, durante este fim de semana, reiterei o pedido. De acordo com a empresa, a situação tornou-se insustentável face à recusa de apoio pelo Banco de Fomento", explica.

Cerca de 300 trabalhadores têm a vida em suspenso. José Alves sublinha que são 300 famílias, mas garante que os direitos dos trabalhadores serão assegurados. A autarquia vai fazer de tudo para conseguir recolocar as pessoas noutras empresas da região.

"É um ataque económico muito negativo, e a câmara está a fazer contactos para perceber se estas pessoas podem ser aproveitadas noutras áreas", admite.

José Augusto Alves nota que a região de Castelo Branco tem vários "clusters", em áreas como a automóvel, tecnológica e do frio: "São vários caminhos e irei fazer reuniões para ver, desde que exista concordância, se há possibilidade de os mercados absorverem os desempregados."

"Podem ser encontradas soluções para que a empresa continue a trabalhar"

A posição do Sindicato dos Trabalhadores do Setor Têxtil da Beira é mais otimista, admitindo que a Dielmar pode não fechar portas, se os credores encontrarem novos investidores. Em declarações à TSF, a presidente do sindicato, Marisa Tavares, pede que se encontre uma solução que garanta os postos de trabalho.

"O processo de insolvência não deve ditar, de forma reta, o encerramento da empresa. Podem ser encontradas soluções para que a empresa continue a trabalhar, como um Plano Especial de Revitalização, para viabilizar a empresa. Seja com esta ou com outra gerência, o importante é salvaguardar os postos de trabalho", aponta.

Marisa Tavares lembra que a região de Castelo Branco passa por uma situação crítica, pelo que "devem ser salvaguardados todos os postos de trabalho, para que as famílias não sofram as consequências das más gestões das empresas".

Os trabalhadores têm um plenário marcado para esta segunda-feira às 15h00 à porta da empresa, em Alcains.

A Dielmar era uma das principais marcas de vestuário masculino no segmento conhecido como têxtil dos famosos, contava com dez lojas próprias, além da fábrica em Alcains, e fornecia 25 mercados, com destaque para Espanha, Reino Unido e Brasil.

Uma das principais linhas da empresa foi a indumentária que vestiu a seleção nacional, no Euro 2016, que Portugal acabou por vencer.

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